Luana Aguiar nasceu em São João de Meriti na Baixada Fluminense RJ, em 1986, e atualmente vive e trabalha no Rio de Janeiro, RJ. É artista visual, pesquisadora, curadora independente, designer gráfica e capoeirista. Desenvolve, desde 2008, trabalho artístico com seu próprio corpo em performances, vídeos e fotoperformances. Os campos do erotismo, do sagrado e o feminismo são os de maior interesse da artista que tem realizado ações tanto em galerias e museus quanto em espaços públicos. Além disso, aspectos da cultura suburbana, do funk, da capoeira e da psicanálise aparecem frequentemente em seu trabalho. É Doutoranda (bolsista Capes) e Mestre em Linguagens Visuais pela Escola de Belas Artes da UFRJ e Bacharel em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UERJ. Entre 2009 e 2013 frequentou vários cursos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, RJ, incluindo o Programa Aprofundamento de 2013. Participou de festivais como o Festival Performance Arte Brasil no MAM/RJ, em 2011, Festival de Inverno do SESC/RJ, em 2012, e da I Bienal do Sertão de Artes Visuais em Feira de Santana, BA, em 2013, dentre outros. Entre 2018 e 2019, foi curadora do projeto Flexões Performáticas: gênero, número e grau, no CCBB/SP e de 2016 a 2018 foi professora substituta de graduação do departamento de história e teoria da arte da Escola de Belas Artes da UFRJ.
_ Luana, você nasceu em São João de Meriti, e é bacharel em artes visuais. De onde surge o interesse em explorar o campo das artes visuais?
Quando criança eu vislumbrava ser artista pois gostava de desenhar, costurar a mão, bordar, fazer bijuterias e era muito estimulada pelos meus familiares. Tinha uma avó costureira e um tio que editava fanzines de rock e que foi estudar design gráfico. Na adolescência, esse meu tio começou a me levar a museus e me introduziu no mundo da arte por meio dos livros, uma vez que a internet ainda era restrita nessa época. Segui os passos dele pelo design gráfico e logo comecei a trabalhar na área, depois de já ter tido um emprego como auxiliar administrativo, aos 17 anos. Estudando design eu logo percebi que queria mesmo ser artista e que o design não dava conta dos meus anseios. Fazer essa passagem foi algo bem difícil e estressante, porque minha realidade sempre foi a de morar longe e ter que ajudar nas contas de casa (sou filha de mãe solteira e deficiente física). Fazer uma faculdade de artes parecia algo impossível, até que encontrei o curso noturno do Instituto de Artes da UERJ e me senti contemplada como trabalhadora pobre e periférica que desejava ser artista. Prestei o vestibular e passei. A partir daí as coisas começaram a mudar.
_ Acredito que por também ser da UERJ, vejo o espaço como um lugar que, por ser menor, é também mais íntimo, afetando de forma subjetiva cada corpo que o habita em diferentes tempos. Comenta um pouco sobre sua experiência na graduação?
Minha experiência na graduação não foi nada fácil porque eu já chegava bem cansada para assistir às aulas. Conciliar o curso na UERJ com uma jornada de trabalho integral como designer foi mais desafiador do que imaginava e isso impactou, inclusive, minha saúde mental. Eu também me sentia um pouco enclausurada estudando num edifício que não foi feito para ser uma universidade. Fora isso, estudar na UERJ foi um verdadeiro marco em minha vida pois encontrei lá muitas pessoas que, como eu, eram trabalhadores e que passavam por inúmeras dificuldades e a gente se ajudava. Além disso, lembrar da relação com os professores é algo que me comove. A maior parte das turmas eram pequenas, o que facilitava que a gente estabelecesse relações de afeto. O que aprendi com eles/elas eu levo comigo com carinho e procuro transmitir aos outros. Essa generosidade intelectual foi a lição mais preciosa que recebi do corpo docente na universidade.
_ Você também atuou como professora de história da arte na EBA-UFRJ, conta sobre esse período?
Encaro a atividade docente como performance também, por isso me sentia em ação performática sempre que entrava em sala de aula. Foi uma experiência linda, mas de muita responsabilidade porque os desafios foram inúmeros: as turmas eram cheias, muito diferente de como acontecia na UERJ quando era estudante; precisei lecionar conteúdos os quais eu não tinha tanto domínio e, assim, me colocar numa postura de humildade para aprender junto com estudantes; além disso vários e várias estudantes apresentavam dificuldades por morarem longe ou dificuldades financeiras ou problemas de saúde e/ou familiares, de modo que era impossível não ser sensível a tudo isso. Muitos passavam exatamente pelas situações pelas quais eu tinha passado. Acolhê-los e estimulá-los a seguir em frente foi a postura que escolhi adotar pois foi o que recebi da maior parte dos meus professores. Além disso, em sala de aula, pude pôr em prática o princípio da generosidade intelectual e entendi o quanto o conhecimento é algo vivo quando permitimos que ele circule. Gostaria de voltar a dar aulas presenciais pois aprendi muito e sinto que sou boa nisso. Espero que as coisas voltem um dia a ser como eram antes.
_ O contato físico é sempre fundamental durante a troca de saberes, seja na universidade ou fora dela. A pandemia e o isolamento social, infelizmente nos fizeram perder formas de intimidade, além de diversas outras possibilidades que só a presença tem a oferecer. Durante esse período que estamos vivenciando, como você tem enfrentado e lidado com essa nova condição?
O que procuro fazer é trocar virtualmente com bastante frequência. Tenho consciência de que ter essa condição, poder trabalhar e pesquisar exclusivamente de casa e com uma boa conexão com a internet é um privilégio. A maior parte da população acaba não fazendo o isolamento porque precisa trabalhar, ou passa fome, uma vez que o auxílio que o Estado dá, quando dá, é uma vergonha. Para quem tem a opção de ficar em casa e tem acesso à internet, acho que a troca de virtual saberes é hoje uma realidade. Existem muitas perdas, mas existem ganhos também. Esses dias me matriculei como ouvinte num curso livre da Harvard, gratuitamente. Esse é um exemplo de ganho. Tenho aprendido que aceitar a realidade como ela é deixa a vida um pouco mais leve. Então eu aceito o que temos para hoje. É claro que nostalgia e melancolia são sentimentos que por vezes me assaltam, por isso procuro, na medida do possível, manter uma rotina dentro de certa normalidade, vivendo um dia por vez. Às vezes fica tudo bem, às vezes não. Às vezes olho pela janela e vejo que para a maior parte dos seres vivos, nada mudou, os pássaros cantam da mesma forma, os mosquitos continuam a nos perturbar, as árvores e montanhas continuam lá, plantas continuam a crescer e a morrer, baratas aparecem normalmente antes dos dias de chuva. A vida continua a despeito do vírus e das mortes. Quem precisa se adaptar somos nós se quisermos continuar vivendo.
_ Luana, você também participou de diversos cursos na EAV Parque Lage. De que forma você acredita que esses espaços afetaram sua produção?
Estudar no Parque Lage foi muito importante em minha formação e tenho enorme gratidão pelos professores que tive lá. A maior parte dos cursos que fiz foi como bolsista informal, pois eu não tinha grana para pagar nenhum deles. Isso foi um pouco antes das ações de democratização de acesso feitas pela escola. Então, muitas vezes eu me sentia um peixe fora d’água, por ser pobre e da periferia, por não ter viajado e conhecido grandes museus, por não ter o mesmo repertório cultural dos demais, por me vestir e me comportar de forma diferente das outras pessoas. Aprendi muito sobre arte no Parque Lage, mas aprendi mais ainda sobre abismos sociais e isso também me ajudou em meu trabalho. A ação Bailarina que apresentei em 2014 no pátio da piscina, na ocasião da exposição do curso de aprofundamento o qual fui selecionada para participar, foi uma resposta a tudo isso. Levei uma “piriguete” para um espaço de arte da zona sul do Rio num momento em que a periferia ainda não era aceita (e fetichizada) nesses espaços como é hoje. Nessa ação eu não encarnei uma piriguete, eu apenas rememorei algo que vivi em minha vida quando frequentava os bailes em São João, na adolescência.
_ Atualmente o parque lage é um espaço mais acessível, promovendo eventos, e como você mesma disse, se tornando um tanto mais democratizado. No entanto, você comenta sobre uma performance realizada em 2014, como foi a recepção do público a sua performance?
É possível dizer muito com o olhar. Algumas pessoas me olharam julgadoras, outras com desejo ou escárnio, mas também havia gente curiosa e receptiva, essas últimas em menor número. Consegui perceber tudo isso pois uma parte fundamental da ação era estabelecer conexões com o público por meio do olhar. Antes de parar em determinado ponto da piscina pra rebolar, eu passava algum tempo “desfilando” pelo pátio apenas olhando as pessoas nos olhos, de modo sério. Não foi fácil fazer isso pois trocar olhares é trocar energia também, precisei de muita concentração pra me manter em foco. E por não ser atriz, desenvolvi um método próprio de fazer isso, baseada em meditação. Eu também pedi que colegas filmassem os olhares do público e guardo comigo esse material. Embora a proposta não fosse participativa, a Bia Medeiros, que hoje é uma grande referência em performance pra mim, rebolou um pouco junto comigo, ao meu lado e foi legal, um momento risível para o público. Eu costumo deixar as coisas acontecerem porque, para mim, estar em ação em alguns trabalhos é quase que como estar em transe. Não tenho condições de interferir. A Anna Bella Geiger não gostou, depois eu soube que ela se manifestou contrariamente a qualquer interferência. Ela, a Anna Bella, foi muito importante na construção desse trabalho e da minha trajetória, na verdade, pois ela trouxe referências a mim que até então outras pessoas não tinham dito, como questões arquetípicas da força do feminino. Tenho muita gratidão e admiração pela Anna Bella Geiger que é, para mim, uma das maiores artistas brasileiras.
_ Luana, você também é capoeirista, como você entrou em contato com a prática, a arte da capoeira tem impacto na sua produção?
Eu busquei a capoeira quando me tratava de uma depressão profunda que já se manifestava desde a adolescência. Eu precisava fazer uma atividade física coletiva, por recomendação médica. Escolhi a capoeira pela beleza da prática mas não sabia ao certo o que me esperava. Encontrei nela algo que envolve, sobretudo, a espiritualidade, pois há uma energia muito forte que perpassa os corpos numa roda. Percebi que era algo parecido com o que acontecia em algumas situações performáticas dentro do meio de arte. Ao longo do tempo, entendi que o tipo de performance propagada pela capoeira é a que mais me interessava como artista. Minha pesquisa de doutorado, que relaciona o campo do sagrado à produção performática contemporânea, parte dessa experiência como capoeirista aprendiz. Além de me ajudar a sair da depressão, a capoeira ampliou minha consciência corporal e ainda impulsionou minha pesquisa acadêmica. É uma prática muito poderosa tanto pro corpo quanto pra alma, sou apaixonada.
_ Desde 2008 você utiliza seu corpo enquanto trabalho, seja na performance, fotoperformance, ou vídeo. Quais diferenças foram percebidas por você, em relação a noção de corpo, e corpos, durante os anos?
Acho que pra falar de corpo e trabalhar com ele é preciso se abrir para um processo de autoconhecimento. Percebi com o tempo que para sustentar um discurso sobre o corpo em meu trabalho eu precisava conhecer o meu próprio e conhecer nosso corpo é escavar memórias e lidar com traumas.
Agora, só fazer arte não dá conta de se conhecer. Ajudou muito, mas precisei de outras ferramentas ao longo dos anos, uma delas foi a psicanálise. Sou uma analisanda aplicada há cerca de 12 anos, com a mesma terapeuta e só pude recorrer a esse tratamento porque fui contemplada num projeto social da associação de psicanalistas a qual minha terapeuta faz parte. Meu trabalho artístico deve muito a esse processo. Por exemplo, aprendi em análise o quanto o fato da minha mãe ser deficiente física impactou na minha percepção de corpo. Minha mãe tem a locomoção limitada por conta de uma sequela de poliomielite na perna esquerda, então, a minha formação corporal e psíquica foi influenciada pelas limitações que ela teve desde a gravidez. Outra coisa que marcou os corpos de boa parte das mulheres da minha família e o meu próprio foram os abusos sexuais, um assunto que infelizmente ainda é um tabu social. Tudo isso é, então, pano de fundo das imagens e situações performáticas que eu crio. Assim, o que entendo por corpo foi mudando ao longo não só da minha formação como artista, mas também do meu próprio amadurecimento pessoal e trouxe maior lucidez sobre minha história, que é corpo. E acho que esse entendimento de corpo vai continuar mudando enquanto viva eu for, porque o corpo nunca cessa de se modificar em direção ao perecimento.
_ Apesar de estarmos em 2021, fora de alguns espaços, a nudez, apesar de natural, ainda é algo que incomoda alguns. Trabalhando com erotismo e o sagrado feminino, de que maneira você aborda isso em sua pesquisa e realização de trabalhos? Você já sofreu algum tipo de censura ou represália?
O corpo incomoda porque ele traz a memória de quem o porta, ou vira espelho para memórias de outrem porque, afinal, nenhum de nós veio a esse mundo a passeio. É muito mais fácil as pessoas anestesiarem suas memórias do que encará-las de frente. Muita gente sequer sabe que lidar com nossos traumas passados é libertador porque não recebemos esse tipo de educação emocional. Acho que a nudez na arte coloca essas cartas na mesa, sabe? O moralismo é apenas a camada mais superficial de tudo isso. Hoje eu abordo o erótico em meu trabalho consciente da limitação das pessoas, porque eu tenho as minhas próprias… eu mesma demorei a lidar com a nudez, a alcançar esse tipo de liberdade em minhas ações. Quando comecei a alcançar isso eu era mais agressiva, no sentido de empurrar meu corpo goela abaixo nas pessoas. Hoje eu tenho repensado essa estratégia, mas ainda não sei ao certo para onde estou indo… A censura é inevitável, mas, ao menos em trabalhos ao vivo, eu nunca vivi situações além do esperado e isso bem pode ser pelo fato de eu ser uma mulher branca com o corpo dentro dos padrões estéticos de beleza… Já na internet é diferente. Acho bem absurdo, por exemplo, o pudor aos mamilos. Os algoritmos das redes sociais são muito limitados nessa questão. Acho que as grandes corporações não querem fazê-los mais inteligentes, na verdade, pois na hora de vender anúncios, por exemplo, acontecem coisas na rede que parecem inexplicáveis. E aí aparece um outro ponto sobre o qual precisamos refletir: o corpo exposto só interessa, e muito, quando ele é lucrativo, dentro dos padrões estéticos. Hoje já existem inúmeros movimentos que têm feito a indústria publicitária repensar tudo isso e bem sabemos que essa indústria se alimenta da arte em seus processos de criação e, essa mesma indústria é que conduz a inteligência burra dos algoritmos. Enfim, o que eu acho é que nós artistas precisamos continuar e continuar a tirar a roupa e refletir sobre e expor os significados disso.
_ Sua fala a respeito da sexualização de corpos foi bastante precisa, nossos corpos são frequentemente vistos como objeto de desejo, e por isso, encaramos diversas dificuldades. Utilizar a nudez em seu trabalho já causou algum impacto negativo em sua vida pessoal?
Sim, alguns. Ao longo dos anos tenho procurado ser o mais radical possível dentro dos meus limites, utilizando-me de poucos filtros morais, digamos, e qualquer atitude um pouco mais radical gera reações. Nem sempre é possível prever as reações negativas ou julgamentos das pessoas, familiares inclusive. A fotoperformance “Retrato com criado-mudo”, feita em parceria com meu amigo e fotógrafo Adriano Facuri, a qual elaboramos uma citação de um autorretrato de Robert Mapplethorpe, foi divulgada pela primeira vez pelo facebook, numa espécie de reação coletiva à capa da Revista Veja que trazia a Marcela Temer, esposa do Michel Temer, com a chamada: “bela, recatada e do lar”. As pessoas publicaram as imagens mais esdrúxulas zombando daquela capa e eu, claro, aproveitei a oportunidade para tornar pública essa fotoperformance, até então inédita, também sob a legenda “bela, recatada e do lar”. Depois que publiquei esse trabalho, se confirmou aquilo que eu já desconfiava em relação a algumas pessoas próximas a mim: que elas, em suas limitações moralistas, tinham vergonha do que eu faço. Isso foi em 2015 e nesse momento eu ainda me importava com a aprovação dos outros. Hoje eu tenho me libertado disso, o que é maravilhoso. Pensando bem, o impacto desse trabalho foi positivo em minha vida pessoal, pois ele descortinou certas coisas que estavam veladas em relação a essas pessoas. E penso que isso é fundamental para minha saúde mental: escolher bem quem faz parte do meu círculo de relacionamentos, não criar ilusões em relação ao comportamento das pessoas.
_ Durante algum momento no seu processo enquanto docente, você presenciou algum momento que marcou a memória?
Sim. Duas situações foram a que mais me marcaram: um estudante que estava em preceito religioso, e por isso ia vestido com uma veste típica, pediu para frequentar minhas aulas pois sofreu discriminação em outra turma. A outra situação é que uma estudante chegou na aula com crise de ansiedade, com os mesmos sintomas que eu já tinha sentido em meu processo depressivo e por isso eu tive segurança em confortá-la. Acho que ser artista me ajudou a olhar de forma mais sensível para os estudantes, vendo-os como pessoas portadores de histórias singulares e com necessidades diferentes. Isso é algo muito difícil da universidade, como instituição, perceber e lidar, e é por isso que a vida docente requer tanta responsabilidade, pois a/o docente representa a instituição em contato direto com as/os estudantes. Quem entrar nesse caminho por status pagará um preço alto e marcará a vida de outras pessoas de uma forma que nem poderá imaginar.
_ Em um de seus trabalhos “Levo sua alma até você“, é realizada uma performance pública em diversos espaços, um deles sendo a Estação de trem central do Brasil, comenta sobre o processo de confecção e recepção desse trabalho?
Na verdade, nessa ação, eu parto de dentro da Central do Brasil e faço um trajeto, encarnando a noiva-virgem-santa-fantasma, até o Centro Cultural da Light que fica na Av. Marechal Floriano. No trajeto eu acabei passando pelo Palácio Duque de Caxias e pelo Palácio do Itamaraty, a antiga sede do Ministério das Relações Exteriores. Essa ação foi realizada na ocasião da exposição “Percursos”, com curadoria de Thiago Fernandes e se trata da primeira aparição da noiva-virgem-santa-fantasma na rua, esse ser mítico que tem encarnado em mim, desde 2011 (ela apareceu pela primeira vez na ação Medusa, no espaço Cultural Sérgio Porto). A noiva-virgem-santa-fantasma é o motor e o resultado de minhas pesquisas e eu a recebo de peito aberto, procurando descobrir aos poucos o que ela tem a me dizer e a dizer ao mundo por meio do meu corpo. O Thiago me convidou para participar dessa mostra e a pensar num trabalho que passasse pela ideia de um percurso por essa região do Centro do Rio e imediatamente eu me remeti aos meus 18/20 anos, quando morava na Baixada Fluminense, era trabalhadora formal e fazia quase que diariamente o trajeto Praça Mauá-Central do Brasil para pegar o trem de volta à São João. Pensei no quanto de minha energia vital era investida em uma ocupação que visava apenas um retorno financeiro, sem maiores sonhos ou ideais, sem um compromisso de transformação interior ou de qualquer ordem, enfim, a alienação, uma realidade global. Em oposição a ela, surge a promessa da noiva caminhante, a levar esse princípio vital que entendemos por alma de volta aos seres que a perderam e a purificar míticamente o espaço por onde passa. A figura da noiva é também inspirada nas lendas urbanas, mulheres de branco, noivas abandonadas e por aí vai, imagens femininas arquetípicas. Dessa vez, no entanto, além de me interessar por uma imagem de cunho santificado por meio do uso do véu, como em Medusa de 2011 e em Graça de 2017, pensei na maneira como a longa cauda da saia da noiva poderia “varrer” o ambiente urbano e todo aquele cruzamento de energias. A imagem do trabalho foi vindo até mim por meio de rascunhos, desenhos, como é o que acontece com boa parte das minhas ações. Contratei um ex-estudante meu da EBA, o Maurício, que fez aquele figurino fenomenal, sob medida em todos os sentidos. Como a noiva precisava ter a atenção das pessoas para seu manifesto fluir, fui inspirada a fazer o percurso contrário aos trabalhadores em pleno horário do rush, ou seja, no momento em que as pessoas saíam de seus trabalhos em direção à Central. Acho que foi o maior público que já tive ao vivo, impossível contabilizar, talvez milhares de pessoas tenham visto a noiva-virgem-santa-fantasma passar por ali, nos 40 minutos de percurso.
Como em qualquer ação que faço na rua, necessitei de uma rede de amigos que ficaram ao meu redor, fazendo os registros e atentos a minha segurança. A recepção foi diversa e surpreendente, como sempre é em trabalhos na rua. O que mais me marcou foi quando um rapaz, que parecia morador de rua, começou a me observar atentamente. Ele ficou de prontidão a todo momento em que eu passava por dentro da Central do Brasil e segurou a cauda da saia como que para protegê-la, para as pessoas não pisarem nela. Um outro rapaz chegou e junto a esse primeiro cantaram a marcha nupcial, ambos segurando a cauda da saia. Quando saí da Central e cheguei na rua, a confusão de gente era maior, então aquele primeiro rapaz arrumou parte da cauda e segurou ela comigo até que eu pudesse sair totalmente do tumulto. Isso me fez pensar que não importa onde estejamos, a figura da noiva/santa é sagrada, precisa ser cuidada e honrada. Aquele primeiro rapaz cuidou do meu corpo e vestido com todo respeito e escrúpulo que um corpo santo e “virginal” merece. Eu aceitei seu cuidado e agradeci. O trabalho me mostrou, na prática, a força que a imagem de uma noiva, ainda mais virgem-santa-fantasma, (risos) exerce nas pessoas, e isso é arquetípico. E nesse trabalho, eu associo essa imagem feminina ao templo carioca (e também brasileiro) da “religião do desespero” (termo usado por Walter Benjamin em O capitalismo como religião) que é a Central do Brasil.
_ Em “A virgem a casa retorna“, você realiza uma performance com uma veste semelhante a “Levo sua alma até você“, esses dois trabalhos possuem alguma ligação?
Sim, ambos os trabalhos são aparições da noiva-virgem-santa-fantasma. Em A virgem à casa retorna, a noiva-virgem-santa-fantasma dialoga com símbolos cristãos em relação a sua corpa seminua. A fotoperformance cria uma narrativa de reencontro com uma capela abandonada. São dois corpos ali: o do pequeno templo e a da noiva, como que numa conjunção religiosa. A casa pode ser esse pequeno templo, mas pode ser também o meu corpo que ali é o corpo da noiva. Numa das imagens da fotoperformance que é um quadríptico, dá pra ver um pouco do seio e em outra, a bunda da noiva. O trabalho foi feito por total necessidade interior quando me deparei com aquela capela, que fica numa fazenda em Barra do Piraí, RJ, chamada Fazenda Sagrada Família a qual passei alguns dias em residência.
Para uma melhor compreensão do significado desse trabalho, preciso dizer que a árvore genealógica de minha ancestralidade tem muitas raízes e que o cristianismo é a mais evidente, por isso não me abstenho de encará-lo de frente. O que aprendemos/sabemos da religião cristã pelo senso comum é superficial, é preciso escavar mais fundo e sem preconceitos, pois uma tradição religiosa, qualquer que seja, pode ser internamente muito diversa. Logo, ao longo de minha pesquisa, tenho percebido que existem razões profundas e diversas pelas quais o corpo da mulher tem sido violentado e velado ao longo dos tempos e dos povos. Minhas investigações hoje procuram elucidar algumas dessas razões, conhecê-las, nomeá-las. Estudar o campo do sagrado e a simbologia religiosa de várias tradições, de modo não sectário, tem sido um caminho.
Existem muitos mal entendidos em relação aos estudos das religiões que são propagados, inclusive, pela intelectualidade. É um campo controverso, repleto de contradições, e é por isso que me interesso por ele. Boa parte da intelectualidade brasileira fica enredada numa teia invisível e inconsciente de seus próprios preconceitos e limitações, repetindo pequenos dogmas revolucionários. Essas pessoas não conseguem enxergar que por trás desses dogmas revolucionários estão presentes muitos princípios cristãos, por exemplo, pois o pensamento religioso é o que está na base da maneira como pensamos, queiramos ou não. Nesse sentido, dar aulas de história da arte contribuiu para que eu pudesse compreender que a influência do pensamento religioso, em nossas vidas seculares, ainda é tão forte que é praticamente impossível se desvincular disso. Minha tese de doutorado se inicia a partir dessa constatação. Os estudos decoloniais ajudam a desvelar e reconhecer essas estruturas, mas pensar em um mundo desvinculado da influência do pensamento religioso na estrutura do pensamento é utopia. Por isso escolho encarar de frente o campo religioso, ir mais a fundo nele a partir de minha própria ancestralidade, pois entendo que conhecer os “inimigos” dos nossos corpos, as circunstâncias culturais que nos aprisionam, é fundamental para libertá-los. Interesso-me pelas complexidades e contradições que o campo religioso possui, e acho que são essas contradições que A Virgem à casa retorna celebra. Esse é um trabalho muito especial porque, além de tudo isso, as camadas de significado dele ainda estão se abrindo para mim, o que fiz ali não é totalmente consciente ainda. É por isso que batizei minha tese de doutorado com esse título, para marcar o quanto um processo de pesquisa é complexo e não se faz apenas com lógica e coerência. É preciso intuição para acessar algo do nosso inconsciente.
_ Em “Gozo Silêncioso”, você segura uma placa com a frase ” Se me atirares um ovo, gozarei em silêncio”. Em uma das fotografias, vejo um homem encarando seu ato performático, e crianças jogando ovos. Quais as percepções e reações mais notáveis por você durante a realização do trabalho?
Foi um trabalho feito em 2010, de modo que as lembranças são fugazes. As imagens de fato me ajudam a reconstruir algumas situações na memória. O gozo silencioso aconteceu na Praça Tiradentes, no Centro do Rio, durante o evento Viradão Carioca. Dezenove dúzias de ovos foram atiradas em mim durante quatro horas de trabalho, enquanto eu permanecia de pé sobre um pequeno tablado segurando a placa com os dizeres que você mencionou. Essa foi a primeira ação onde eu envolvi efetivamente o espectador, e as reações foram as mais diversas. As crianças, por terem menos filtros em seu comportamento, foram as mais cruéis pois atiravam com força os ovos e não se contentavam em atirar somente um. Ainda que elas não entendessem o significado da placa, a ação, para elas, era uma brincadeira. A maioria dos adultos demonstrava piedade ao atirar, ou dúvida, ou não atiravam, simplesmente. Alguns passavam olhando, sorriam ou faziam cara de espanto. Era muito legal perceber essa diversidade e o conflito que transparecia nas pessoas, se me atiravam ou não os ovos. Outros, mais exaltados, insistiam em obter uma resposta sobre o que afinal era aquilo que eu fazia. Eu os encarava, desafiando-os com o olhar e se me perguntavam algo eu me limitava a fazer sinais com a cabeça ou até mesmo nem isso. Não me lembro exatamente, mas acho que esse rapaz da foto ficou apenas me olhando, chegou a comentar algo que não recordo. Foi marcante, para mim, responder àquele olhar masculino, sereno mas insistente. Por alguns minutos nossas almas conversaram em silêncio. Ele não me atirou nenhum ovo e não parecia em conflito. Já no fim da tarde, quatro crianças de rua se aproximaram e atiraram vários ovos ao mesmo tempo, de forma que eu não conseguia me proteger com a placa, como vinha fazendo. O segurança que me acompanhava precisou agir nesse momento, impedindo que as crianças continuassem. Elas realmente aproveitaram a oportunidade para descarregar suas emoções ali. Eu já esperava comportamentos desse tipo, por isso contratei um segurança que ficou, digamos, à paisana durante a ação, foi um risco que eu assumi ao me expor daquela maneira. Ao final da ação, fiquei completamente exausta ao lidar com as energias de tanta gente. Sentia-me como se tivesse absorvido os pensamentos e julgamentos das pessoas, pois o olhar delas carrega muita energia. Eu falo um pouco disso em minha pesquisa de mestrado, sobre a arte que aborda os furos do corpo e a energia que perpassa por eles, sendo a órbita ocular também um furo. Estudei um pouco de Freud e Lacan, sobretudo para entender o conceito de gozo na psicanálise, um campo do conhecimento que me serve de referência na execução dos meus trabalhos. Na dissertação, eu escrevo detalhadamente sobre o O gozo silencioso e proponho uma reescrita da frase da placa para “Me atire ovos e gozo contigo.”
_ Luana, você passou por diversas exposições, curadorias, e festivais pelo Brasil, como foi passar por esses espaços? Você sentiu alguma diferença entre eles?
Honestamente acho que nem foram tantos assim para uma artista de 35 anos que começou aos 23. Meus processos são lentos e, em virtude da depressão pela qual passei, não consegui viajar por um bom tempo, o que me impediu de aplicar para outros estados e para fora do país, inclusive. Então, além do Rio, basicamente eu me apresentei em Belo Horizonte e São Paulo, além de cidades serranas aqui do estado como Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo. Além disso, fiz uma curadoria no CCBB de São Paulo e obras minhas participaram também de exposições em Teresina, PI e Feira de Santana, BA, mas eu mesma não fui. É até difícil responder essa pergunta porque, de fato, não circulei tanto. Algo que percebi é que os paulistanos, no geral, levam arte bastante a sério. Isso é bom em alguns aspectos, e ruim em outros. O lado bom é que o capital circula mais por lá e as chances de viver de arte são maiores. O número de locais destinados à cultura é também maior, bem como a gestão desses lugares me pareceu mais organizada. O lado ruim, penso que seja a maior formalidade nas relações, pois acho que o aspecto de informalidade e leveza que temos no Rio é mais estimulante, pelo menos para mim enquanto artista. Em relação a outros lugares do país, eu não sou capaz de opinar, pois ou me apresentei muito rapidamente, ou fui a passeio. Meu circuito, como se vê, tem sido limitado a esse eixo Rio-SP e tudo bem, não tenho pressa. Quando me sinto pouco “viajada” eu lembro do Machado de Assis cuja viagem mais distante que fez foi para Nova Friburgo e isso não o impediu de criar uma obra genial.
_ Luana, por último, mas não menos importante, você teria alguma indicação ou orientação à artistas que estão começando a desenvolver trabalhos e pesquisas em performance?
Para escolher um caminho é preciso minimamente saber o que se quer. Se você, artista da performance que está começando, quer ser conhecido, ter muitos seguidores e algum retorno financeiro, é preciso produzir produtos a partir de seus trabalhos, se inscrever em editais, conhecer e se associar a pessoas vinculadas ao mercado, saber receber críticas, “engolir sapos” e alinhavar seu trabalho às tendências bem como treinar um vocabulário e um comportamento esperados pelo circuito. Fazendo tudo direitinho, em 1 ou 2 anos você terá bons retornos. Nenhum problema com isso. Agora se você é do tipo que quer abrir caminhos pouco explorados, ou apenas sente que de algum modo essa é a sua missão, acho que os processos são mais complexos, até mesmo espirituais… Isso exige mais tempo, paciência e perseverança, o que não te exime de precisar fazer algumas das coisas que mencionei acima. Eu sou um fracasso em vendas e só comecei a passar em editais mais relevantes há poucos anos, mas me encaixei bem na universidade. Sinto que lá é meu lugar, ainda que com todos os problemas que uma instituição pública possua, sobretudo nos dias de hoje. Minha intuição é de que, de algum modo, minha pesquisa poderá fazer a diferença a longo prazo a partir da academia, por isso é essa minha escolha. Optar pela pós-graduação também me habilita a trabalhar em outras frentes no campo da arte, como ministrar cursos livres, conferências ou fazer curadoria e produção de eventos. Assim vou bancando financeiramente o meu trabalho e vou vivendo de forma simples e tranquila. O mais importante é seguir em frente, mesmo devagar, afinal “devagar também é pressa”, como diz meu atual professor de capoeira angola, (risos).
EXPOSIÇÕES
2021
FESTIVAL MARGEM VISUAL: performance periférica na rede – apresentação virtual da videoperformance ‘Proibido nascer de novo’ em festivalmargemvisual.com
2020
Prêmio FUNARTE Respirarte – apresentação virtual da videoperformance ‘Consultoria espiritual para cidadãos de bem’
Expo virtual do Projeto Fotos PróRio – selecionada pelo curador Ivair Reinaldim – apresentação da fotoperformance ‘Salvadora da Pátria’ – Galeria Aymoré, RJ
2019
Exposição ‘Percursos’ – curadoria de Thiago Fernandes. Apresentação da performance em espaço público: ‘Levo sua alma até você’ – Centro Cultural Light, RJ
XXII Encontro de Pesquisadores do PPGAV-EBA-UFRJ. Apresentação da performance ‘Ressuscito mortos e vivos’ – Museu da República, RJ
2017
V::E::R – Encontro de Arte Viva em Terra Una – Coordenação de Nadam Guerra. Apresentação das ações ‘Poema Lixo’ e ‘Partiu quentinho’.
Panelas de pressão também sibilam, Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica. Curadoria Fernanda Pequeno. Apresentação da performance ‘Ação Oral’.
Políticas Incendiárias, XXI Encontro de Alunos do PPGAV / UFRJ – Exposição da fotografia ‘Autorretrato com criado-mudo’.
Experiência no. 13 n’A MESA. Curadoria: Ivair Reinaldim. Apresentação da performance ‘Graça’.
A performance dos modelos n’ O Cluster, proposição de Pedro Meyer – Casa Franca-Brasil. Apresentação da performance ‘Ação para estruturas centrais’.
2016
III Bem me Cuir – Festival Multigênero de Arte – Instituto de Artes da Uerj, Rio de Janeiro, RJ. Apresentação da performance ‘Ação para corredores’
Como falar de arte feminista à brasileira – Centro de Artes Hélio Oiticica, RJ – organização: Roberta Barros e Sandra Rodrigues. Apresentação da performance ‘Rainha dos Raios’
Experiência no. 5 n’A MESA. Curadoria: Isabel Sanson Portela. Apresentação da performance ‘Poema lixo’
Campo de Provas Open Air – ações efêmeras ao ar livre na Ilha do Fundão. Apresentação da performance ‘Ação para corredores’
Diálogos sobre o feminino – contextos brasileiros nas artes (visuais) CCBB/SP – Apresentação da performance ‘Rainha dos Raios’
pontotransição artes visuais, curadoria Luiza Interlenghi, Sonia Salcedo e Xico Chaves – Apresentações das ações ‘Poema Lixo’ e ‘Partiu Quentinho’
2015
Experiência no. 3 n’A MESA. Curadoria: Fernanda Pequeno. Apresentação da performance ‘Partiu quentinho’ e da fotografia ‘Falo’
2014
Quarta Mostra do Programa Aprofundamento 2013 – EAV Parque Lage. Curadoria: Anna Bella Geiger, Fernando Cocchiarale e Marcelo Campos. Apresentação da performance ‘Bailarina’
Revolução. Exposição coletiva com os artistas Evângelo Gasos, Julie Brasil, Lilian Soares e Thiago Ortiz. Apresentação do vídeo ‘A olho nu’
Videofilia / Sarau Tropicaos no Hotel e Spa da Loucura no hospital psiquiátrico do Engenho de Dentro – Apresentação do vídeo da performance ‘Bailarina’
É vento no galpão. Exposição de encerramento da disciplina ministrada por Livia Flores e Ronald Duarte. Apresentação de instalação ‘sem título’
Proposição Ocupa Setor 5 no.2. – Fábrica Aberta 2014 – Fábrica Bhering, Curadoria: Michelle Sales. Proposição coletiva chamada ‘Poema Lixo’
2013
Mostra Mais Performance. Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea, RJ. Apresentação da performance ‘Arremesso’
I Bienal do Sertão de Artes Visuais – Edição Feira de Santana – Centro de Cultura Amélio Amorim – Feira de Santana, BA. Exposição da Fotografia ‘Autorretrato’
2012
Toque – Proposição coletiva realizada no evento Global Boom Brasil – Praia Vermelha, Rio de Janeiro, RJ
Vênus Terra – Pela Lei natural dos Encontros – Galeria TAC, RJ. Curadoria de Bernardo Mosqueira. Apresentação da performance ‘Malvinas’
Festival de Inverno do SESC – SESC Quitandinha, SESC Teresópolis, SESC Nova Friburgo, RJ. Apresentação da performance ‘Dedo de Deus, Agulha do Diabo’
2011
Coletiva Jovens Artistas – SESC São João de Meriti, RJ. Exposição dos registros das performances ‘O gozo silencioso’, ‘Buraco Negro’ e ‘Bem me quer, mal me quer’
Imagem Substância – Centro Cultural Sérgio Porto, RJ – Curadoria de Cristina Salgado. Apresentação da performance ‘Medusa’
Jogos de Guerra – Caixa Cultural, RJ. Curadoria de Daniela Name. Apresentação da performance ‘Roleta Russa’
Festival Performance Arte Brasil – MAM, RJ. Curadoria geral de Daniela Labra. Apresentação da performance ‘Bachus et Ariane’ em parceria com Pedro Moreira Lima
2010
Confluências – Centro de Arte Hélio Oiticica – Rio de Janeiro, RJ. Apresentação da performance ‘Elixir’
Viradão Carioca – Praça Tiradentes, RJ. Apresentação da performance ‘O gozo silencioso’
Bienal de Arte Universitária da UFMG – Belo Horizonte, MG. Apresentação da performance ‘O gozo silencioso’
Projeto Performance na Cidade da Secretaria de Cultura do Rio – Largo do Machado, RJ. Apresentação da performance ‘Buraco Negro’
Aqui jaz: ausências – Galeria Amarelonegro, Rio de Janeiro – RJ. Curadoria de Fernanda Pequeno participação na expo individual de Danielle Carcav com a performance ‘Icebergs’
Novíssimos 2010 – Galeria de Arte IBEU, RJ. Apresentação da performance ‘Bem me quer, mal me quer’
2009
Poéticas do corpo como suporte – EAV Parque Lage, RJ. Curadoria Daniella Mattos e Alexandre Sá.
Olha Geral 2, Estudantes-artistas da Uerj – Galeria Gustavo Schnoor, RJ. Curadoria Aldo Victório, Cristina Pape e Ricardo Basbaum. Apresentação da performance ‘Hiperventilação’
16o Salão de Artes Plásticas de Teresina – Teresina, PI. Exposição das obras em pintura ‘Gêmeos’ e ‘O homem de cinco cabeças’
4a Jornada Cultural na Baixada Fluminense, SESC São João de Meriti, RJ. Apresentação dos vídeos ‘Epiderme’, ‘Vagina dentada’ e ‘Como evitar a morte’
2008
18o. Festival de cultura da ESDI – Pavão – Apresentação da performance ‘Hiperventilação’
MOLA – Mostra Livre de Artes – Circo Voador, Rio de Janeiro, RJ. Exposição da pintura ‘sem título’

Clarisse Gonçalves 1998. Graduação em história da arte na UERJ. Pesquisadora e historiadora da arte situada no Rio de Janeiro. Atualmente pesquisa manifestações artísticas periféricas, negras, e afrodescendentes no estado do Rio de Janeiro.