Cria da Baixada Fluminense e recém morador da Zona Norte do Rio de Janeiro, Ramon Lid, 1989, é Artista Visual, Grafiteiro e Designer Gráfico. Em 2004 o artista dá início aos primeiros riscos com spray nas ruas de São João de Meriti e que já levou a algumas partes do Brasil como artista.
Seu trabalho reflete muito a sua vivência no cenário da Baixada Fluminense, lugar onde cresceu, transita, e onde é sua fonte de pesquisa. Trazendo assim elementos territoriais da Baixada, memórias afetivas, assim como, reflexões e análise crítica de uma visão artística de como a arte é restrita para meios periféricos. A imersão visual também percorre outros aspectos que estão recorrentes em suas obras, a questão do tempo é uma delas, simbolizada algumas vezes por ampulhetas, relógios, números romanos ou ponteiros. A palavra em forma de lettering surge formando o background, e torna-se norte enquanto se funde ao trabalho junto a todos os elementos. Marcando com o tom turquesa que traz como símbolo a indiferença daqueles que têm pele preta e são de origem periférica. Nesse complexo universo de traços hachurados, Ramon Lid vai se descobrindo a cada passo, maneiras de expressar sentimentos, experiências, recortes de lugares e sentimentos do cotidiano periférico.
_ Ramon, como surge seu interesse pelo grafite?
Bom, esse processo se iniciou aos 12 anos, na época que comecei a desenhar e, junto a isso, comecei a ver os primeiros graffitis nas ruas, quando passava pelo Centro e em Niterói, nas visitas à casa do meu irmão mais velho, com minha mãe.
Com 13 anos, comecei a riscar as primeiras letras no papel com um vizinho que tinha aprendido com um amigo de escola algumas letras de graffiti. Pouco tempo depois conhecemos o Erko, que era o maluco da área que já fazia graffiti na parede. Na época, como a tinta era cara, ele fazia com pistola de pintura e compressor. Foi ele quem me passou as técnicas para dar meus primeiros passos no muro. Já tinha uma cena acontecendo, mas pra buscar referências de outros grafiteiros naquela época, a referência mais prática que tínhamos era das revistas hehe e pouco tempo depois facilitou com o falecido Fotolog. Caramba, isso tem muito tempo rs. Anos antes disso, em 1998, minha irmã me levou pela primeira vez a uma exposição (que deu um nó na minha cabeça) de Salvador Dalí, no Museu Nacional de Belas Artes. Fiquei encantado com tanta loucura daquele cara rs. Porém, como um garoto de periferia, a pichação estava mais próxima disso antes de chegar o graffiti. Então fui juntando isso tudo, fui me alimentando cada vez mais de arte. Considero 2004 a época em que me lancei mais a pintar na rua e aprender mais sobre o graffiti, conhecer outra galera que já tava pintando, o que deu início ao meu interesse por artes em geral um pouco mais pra frente.
_ Ramon, alguns grafites tem “tempo de vida” bem curto. Fazendo todos esses percursos, você sabe se o seu primeiro ainda existe?
Poxa, infelizmente não existe mais. Mas com certeza foi uma experiência foda esse primeiro contato com spray e látex para fazer um bomb (que é uma letra mais simples e rápida pra marcar nosso apelido em vários lugares). Tinha um registro em foto desse rolé com um outro amigo, mas nunca consegui combinar pra pegar. Nem sei se ainda existe. Nessa época ainda era máquina fotográfica de filme. rsrs
_ Você cursou design gráfico em Brasília. Em que partes da sua produção você sente a presença do design?
Bom, antes de cursar lá em Brasília, eu já tinha feito outros cursinhos que me deram base para partir pro mercado de trabalho. Na real, na época em que comecei a grafitar, o design era a oportunidade mais rentável para quem já sabia dominar algumas ferramentas dos programas, como Photoshop e Corel. Então, eles meio que se encontram e caminham juntos até hoje, costumo dizer. A afinidade pelo design veio muito pelas possibilidades de desenhos que poderiam se criar a partir de um risco escaneado ou fotografado. Hoje ele me auxilia muuuuito no processo de criação de um mural de dimensões grandes, sabe. Acho que se não tivesse isso junto com o graffiti, talvez eu penaria um pouco para trilhar alguns caminhos. Então acho super importante pra mim hoje, pois isso tem sempre me auxiliando de diversas formas, seja editando uma foto, um vídeo, criando a identidade da minha própria marca ou criando uma divulgação de uma exposição, assim como, as peças gráficas para isso.
_ Nascendo na Baixada Fluminense, qual foi sua inclinação inicial com a temática a ser representada nos seus trabalhos?
É natural você já fazer graffiti e representar a rua, a favela, o morro… era o cenário que me rodeava. Pelo menos, foi a minha realidade, e foi um reflexo de referências que tinha dentro do graffiti. Hoje em dia, por ter também começado no graffiti ainda moleque, eu capto memórias visuais do lugar onde cresci. Meio que isso remonta na minha mente uma coisa de memória afetiva, sabe? Sejam as coisas que vi, vivi, os lugares onde passava, meio que são pedaços de como era e, como aqui, ainda é presente em todas as favelas. É a forma de me comunicar através de uma linguagem periférica no meu trabalho, porque ali existem significados que para um vizinho ou para um outro morador de favela pode ser entendido.
_ Falando em linguagens, cada artista assume estéticas e poéticas muito próprias. Quando a gente fala sobre memória afetiva, também tem a ver com isso. Na parede, no caso do grafitti é onde a memória e o tempo se materializam. Pensando nisso, qual a relação entre essas memórias e seus trabalhos?
Meu trabalho foi evoluindo e eu aprendi muita coisa dentro dessa construção com meu próprio traço, aspectos, símbolos, cores que ali se encontram. Vejo que é um reflexo de como cada ser humano é um universo particular, principalmente sendo artista. Dentro disso, cheguei também aos tons turquesa que vão se formando dentro das hachuras, traços em linhas/riscados que vão dando volume de acordo com a intensidade dos riscos. E o turquesa meio que surgiu nessa descoberta de como o povo preto tem um tom discriminado de tratamento pela sociedade, sendo que, cada pessoa que carrega dentro de si essa discriminação pela sua cor sabe o quanto é intenso o peso desse sentimento. Dentro disso, até o universo visual que tenho hoje com o lettering, por exemplo, é uma viagem no tempo.
Assim que comecei a grafitar, eu comecei também a fazer umas placas para uns trabalhos dos vizinhos, tipo: Serralheiro, Lava Jato, Compro/Vendo Casa, essas coisas que lá no início faziam parte do meu fazer artístico. Outras questões de tempo/ampulheta que represento são coisas que vejo essa preocupação que a gente tem com o perecer, envelhecer e morrer. Acredito que somos muito mais que o tempo terreno, sabe? Que, de certa forma, as perguntas que a gente busca em religiões e teorias “disso ou daquilo”, são só uma forma de “tranquilizar” nosso entendimento terrestre sobre as coisas deste mundo. Mas o que na verdade nos espera é muito maior que a nossa compreensão. Então, o que estamos fazendo com o nosso tempo nessa passagem terrestre? Será que estamos aproveitando bem? Pq nossa consciência parece que é algo que vamos carregar pra… “não sei lá onde”, mas acredito que isso é o que levamos.
_ Atualmente você mora na Zona Norte, você percebe alguma diferença entre o que é representado através do grafite na Zona Norte e na Baixada?
Eu creio que a abertura para arte é um pouco mais tranquila. Posso falar por São João e Vilar dos Teles, que eram as áreas que mais pintava. As pessoas ainda são mais resistentes com graffiti, como se fosse algo que elas não conhecessem. Muitos dos meus primeiros trabalhos foram apagados por lá, tem alguns espalhados, mas os locais centrais de visibilidade, já não existem mais. Então com o tempo, comecei a só focar em pintar próximo da área onde cresci, e tem uns de 5 anos atrás que ainda estão lá. E aqui, com poucos meses morando aqui e pintando na rua, as pessoas já abraçaram conhecer meus trampos. Um exemplo disso, aconteceu em outubro de 2020, onde fiz uma ação de 31 histórias envolvendo alguns detalhes de minha vida, criação, e uma homenagem a minha mãe, onde batizei como #31Marias. Eram desenhos de duas cores, onde escolhi uma forma de fazer um amarelo lembrando o post-it e um desenho em marrom escuro com luz e sombra sobre o fundo amarelo. E era uma ação bem graffiti, sabe… Eu saía e fazia um trabalho pequeno não autorizado em algumas partes da Zona Norte, mais precisamente em Marechal Hermes, Bento Ribeiro, Oswaldo Cruz e Madureira. E essa ação trouxe muita gente a conhecer meu trabalho, o que era essa a intenção mesmo. Outros já me conheciam, por terem visto trabalhos em outros lugares, e quando me viam pintando em ação na rua, vinham perguntas sobre o projeto, foi bem interessante e bem marcante o retorno de várias identificações que as pessoas tinham depois que conheciam o projeto. Então, basicamente é isso, acho que é preciso fazer mais e mais artes para que as pessoas se acostumem com essa forma cultura que o graffiti proporciona.
_ Existe uma desvalorização constante da Baixada em relação a outras áreas do Rio de Janeiro. O que acaba criando tipos de manifestações artísticas muito diversas, apesar das dificuldades encontradas, como você mesmo disse. O Grafitti assume uma forma bem forte nesses lugares, valorizando esses espaços e até mesmo incentivando uma nova geração de artistas. Você começou a trabalhar junto a uma rede de suporte, atualmente, você já ensinou a alguém?
Nossa! Essa é uma pergunta muito profunda e complexa. Porque ela acaba levando para uma condição política também. Acho que não só a cena do graffiti, mas do Hip Hop, em geral, já nasce através de dificuldades e auto afirmação de um movimento cultural para manter a juventude ativa, viva e participante. Hoje, não vejo diferença, o descaso ainda é o mesmo, mantendo os periféricos longe de cultura, porque a maioria dos museus e galerias estão em locais que nossos pais só passavam indo ou voltando do trabalho. Não que a gente seja proibido de estar nesses lugares, mas foi imposto um padrão intelectual e comportamental, onde parece que nós mesmos sentimos que não devemos estar. (Talvez isso seja um desabafo rs). Mas observo muito isso visto que antes era difícil eu mesmo estar ou ir numa galeria tal pra ver até mesmo um artista preto, como de fato fui esse mês. Então, não nos ensinam a pensar, não nos ensinam a questionar… sem isso, como vamos ter conhecimento para correr atrás das coisas? Então a única diferença que vejo é essa. Hoje eu encaro o graffiti como profissão, gerando representatividade para aqueles que estão iniciando na cena, a única diferença é o tempo de estrada. Sempre que posso, ajudo trocando ideias, com material e pintando junto com uma pessoa que tá começando. Não consegui ainda conciliar de dar aula e as minhas correrias diárias de trampo de graffiti e design. Mas esse é o caminho que tento percorrer, que foi como aprendi na rua, sempre respeitando a caminhada dos que fizeram essa parada antes de mim. E não só passar conhecimento para quem é da arte, mas também aquela criança que chega do meu lado quando tô pintando, cheia de sonhos. É importante cativar e alimentar isso, porque quando ela me vê ali como alguém que já conseguiu realizar um sonho. Então passar a visão correta para essa criança é o melhor caminho.
_ O grafite vem se consolidando há alguns anos no cenário artístico brasileiro. Você trabalha há mais de dez anos, quais as principais diferenças percebidas por você ao longo dos anos?
Percebo que hoje tem uma aceitação bem positiva, porém, é mais pela estética do que pela cultura que o graffiti pertence e reflete. Isso só é bom, pois se cria um mercado, mas junto disso, muitas pessoas adentram sem saber nem a importância da estética que o grafitti carrega. Não que seja errado, porém qual é o valor de você ser participante de algo que não conhece? Porque, senão, se torna apenas algo “bonito”. Acredito que foi isso que me manteve vivo, entre tantos altos e baixos que o graffiti me trouxe e levou onde estou hoje. Sem o graffiti, eu nunca teria feito uma exposição no Sesc na cidade onde eu cresci. Hoje tenho uma carreira, mas ainda é difícil me manter só de arte por mais que as coisas tenham ficado mais viáveis na área das artes. É nesse momento que o design me auxilia quando os projetos e trabalhos de graffiti estão meio devagar.
_ Em 2019 você fez parte de uma residência artística no Ceará. Entre espaços, pessoas e vivências, como você se sentiu após a finalização dessa experiência?
Cara, foi algo muito surreal a energia e sintonia daquele lugar e das pessoas. O Cumbucor 2019, sem exagero, foi uma das experiências mais fodas que tive! O evento acontece numa vila pequena de pescadores em que hoje, basicamente, se vive mais do turismo e da pesca. Mas é um lugar super democrático e muito acolhedor. O painel que eu fiz intitulei de “Troca”, porque foi justamente o que tive na semana que fiquei por lá. Não tinha outra palavra. E uma troca só acontece quando você desprende também daquilo que você tem. Os organizadores, que são o Zapata e a Sara, se tornaram grandes amigos, e sempre rola uma troca de ideias. Essa passagem ficou muito marcada na minha vida artística e pessoal também. O mural que fiz retratando dois artesãos locais que tive o privilégio de conhecer foi uma maneira de ter o cuidado de representar algo da cultura local, pelas investigações que fiz conversando com algumas pessoas e comerciantes. Tive uma breve troca ali com eles, a princípio com uma resistência, pois eles não nos conheciam, mas depois fluiu quando eles souberam nossa intenção em questão do evento que já tinha acontecido no ano anterior e compartilharam com a gente a história da tradição que eles tinham em fazer as mini jangadas. Um deles era o sr. Pitoti, que assistia o pai construir jangadas de tamanho reais, a renda familiar deles. Com o tempo e a modernização, a produção dessas jangadas diminuiu por causa do tempo de vida útil das madeiras. Então, o Sr. Pitoti e o Sr. Airton começaram a fazer essas pequenas jangadinhas para vender na praia aos turistas, se tornando artesãos locais. É claro, tinham outros artesãos, mas o trabalho deles me inspirou, além de serem réplicas incríveis! No geral, conheci excelentes artistas, como moradores locais, que também foram super acolhedores.
_ Após a residência, você sentiu alguma modificação na maneira de expressar e concretizar suas ideias?
Acredito que toda experiência muda sua forma de agir de diversas maneiras, principalmente quando te move e te leva para outras culturas. Creio que o que mais me acrescentou foi ver a maneira como outros artistas se expressam e, mais uma vez, artistas que falam da sua região de uma forma muito mais forte e de suas raízes nordestinas. Eu achei isso o máximo, porque acho que vai um pouco além do graffiti. Claro, nem todos eram grafiteiros, mas sim, artistas visuais, e mesmo assim, mostram como algumas características são fortes. Como estávamos ali presenciando o dia a dia de cada um, com tempo pra conversar, comer junto, riscar junto, isso tornou-se muito precioso pra mim naqueles breves momentos. A presença de pessoas de outros estados fez com que as coisas se tornassem plurais, ao modo de sentir essa experiência. O que mais me impactou e modificou foi realmente saber da história por trás do trabalho, ouvir e respeitar o que cada artista faz. Meu trabalho vem muito disso, tirar significados e símbolos que estão presentes nas pessoas e, por um lado, acho que isso só reafirma mais ainda essa ideia.
_ Existe algum trabalho, ou trabalhos, que tenham tido forte impacto na sua memória?
Acho que a rua te mostra algumas coisas que causam grandes impactos. Você saí, acha um lugar pra intervir visualmente, e por ali passam pessoas de diversos meios e cada uma que tira um tempo pra trocar uma palavra comigo enriquece e fortalece meu processo criativo. Tem um cenário, de quando eu morava em Brasília, onde eu estava pintando na rua e entrei num terreno baldio para fazer uma arte (ilegal mesmo, a forma natural do graffiti) e vi um cara que saiu praticamente dos escombros, literalmente, e veio me perguntar o que tava fazendo ali e tal, e ele entendeu. A partir dali, começou a contar a história dele, que estava na rua justamente por causa das dificuldades que a vida acabou empurrando ele, mas que ele era professor de luta e pedreiro. Enfim, foi esses e outros rolés que eu acho punk em situação de rua. Então, como disse, a rua já é uma experiência muito agregadora que soma mais e mais no processo criativo e tals. Tem momentos marcantes, como o painel em homenagem ao Zeca Pagodinho. A viagem ao Ceará e o painel “Troca” que fiz lá. Tem muitos outros, mas foram os que lembrei no momento.
_ Ramon, atualmente você participa de residências, já participou de diversos eventos, além de criar murais com ícones que refletem partes do Rio de Janeiro. Tendo participado de diversos eventos, qual foi o mural mais significativo criado por você?
Acho que o do Zeca, em Irajá em frente ao Ceasa na Av. Brasil. Porque ali, além de ter que representar um ícone do samba, também fui desafiado a retratar uma pessoa “não famosa” mas que também teve uma grande importância ali na comunidade, incluindo a diretora da escola onde pintei.
_ Em 2019 você participou de uma exposição individual, “Silenciar-te”. Como foi todo esse processo?
Nessa época, eu ainda morava na Baixada, e foi uma correria sair daqui com todo material e ir para Copacabana montar tudo um dia antes. Precisava estar tudo certo pra não ter erro. Além de ter sido uma experiência incrível, foi algo tenso quando recebi o convite, porque tivemos menos de 15 dias para ajeitar tudo. Eu já tinha o material que iria expor, já tinha umas ideias na mente pra montar a exposição, mas confesso, não foi algo fácil, planejar tudo em pouco tempo pra executar e divulgar. Mas não hesitei e fui em frente. Tive muita ajuda de pessoas próximas, e sem elas também não teria feito acontecer. Foi uma pequena porta que se abriu, mas nem eu imaginava as grandes oportunidades que aquela exposição me daria aqui na frente. Uma delas foi o convite do Sesc de São João de Meriti para uma futura exposição, a “Enquanto os Pássaros Ainda Vivem”.
A obra central que me levou a mergulhar no nome dessa exposição, foi justamente uma obra que é titulada “Sem Título”, mas é um trabalho que carrega justamente muitos significados de força dentro dela, a introspecção que o artista tem de ouvir primeiro o seu interior para que sua arte possa falar com as pessoas. E como na tela estava representada a figura de uma mulher sem a parte da boca, assim me sentia muitas das vezes em relação aos meus trabalhos, quase que sem saber muito como me colocar nos lugares, e essa exposição foi marcante, porque foi um grito que consegui dar diante de coisas que eu achava que não conseguiria alcançar. Então “Silenciar-te” foi o meu ouvir para saber como eu ia “gritar” para viver dos meus próprios sonhos.
_ Ramon, além de trabalhar com grafitti, você também desenvolve projetos gráficos, desde o início da sua carreira até aqui, como é conciliar todo esse trabalho? O Grafitti é sua principal fonte de renda?
Sim, atualmente a arte tem sido minha principal renda. Seja graffiti, ilustração, pintura em tela, exposições, projetos e por aí vai. Mas ainda mantenho o design como mais uma fonte de renda para segurar as “marés baixas” nos trabalhos de arte. E não, não é fácil conciliar os dois, nem um pouco. Por mais que o graffiti tenha a parte para elaborar um layout, fazer proposta, é um tempo de dedicação diferente do design, onde estou ali basicamente de frente para o computador para desenvolver o projeto. E o graffiti, depois dessa parte de elaboração, é mais externo, sair pra ver material, agendar os dias trabalhados, essas coisas. Acho que o design sempre foi uma ferramenta usual dentro do meu trabalho de arte, sem ele eu não conseguiria me divulgar, me apresentar pra um cliente com um portfólio, ter uma marca, fazer pequenos takes de vídeos… Enfim, acaba que “eu mesmo” trabalho pro “Ramon Lid” nos design da marca do artista rsrs.
_ Com o tempo, você cria uma rede de contatos e também uma marca. Atualmente, como você se vê no cenário?
Olha, me vejo com ascensão na cena e reconhecimento gradativo. Mas observo que meu posicionamento mudou bastante perante as pessoas que conhecem meu trabalho ao ponto de me indicarem. Isso já é um bom sinal a cada passo que dou, mas confesso que ainda estou tentando me posicionar como um artista de referência no que eu faço para poder estreitar mais ainda meu foco em nicho para um público específico. Isso faz com eu me empenhe e dedique a trabalhos que sejam muito mais minha identidade do que o cliente sugerir e dirigir o que ele quer. Em outras palavras, focar em pessoas que queiram o meu trabalho e não só minha mão de obra para executar um serviço de pintura. O mercado de graffiti/arte visual está muito requisitado hoje, mas acredito que quanto mais você se porta e se comporta com um pensamento profissional, mais clareza você transparece para as pessoas sobre o seu modo de trabalho. E é isso que tenho buscado.
Participações em eventos, murais e exposições:
“Enquanto os Pássaros Ainda Vivem”, Exposição Individual Sesc de São João de Meriti 2020.
Exposição Individual “Silenciar-te”São João de Meriti – RJ.
2019 – Ruanita – Copacabana, Tela “Qual é o Preço da Liberdade?”.
2018, Old Novo Galeria – Expo Coletiva.
Exposição Coletiva “Feito Na Baixada”.
Gato Negro Pub, 2017, São João de Meriti – RJ.
Exposição Coletiva no 400 Cores Cabo Frio, 2016, Cabo Frio – RJ.
Festival “Expressões Urbanas”, Live Paint Palco Principal e Expo Coletiva 2014, Taguatinga – Brasília – DF.
Festivais e Projetos de Arte Pública
2020, Mural 72 Anos SJM.
2020, Participação no aniversário de São João de Meriti na Vila Olímpica, Mural “Educação e Raízes”. .
Mural no pátio do Ciep 175 José Lins do Rego.
2020, ONG Terr’Ativa, Mural na fachada da Ong, Morro do Fubá – RJ.
2019, Cumbucor, Mural “Trocas”, Retratando 2 artesãos local Ceará – Caucaia – Cumbuco.
2019, Mural “Acredite no seu Sonhos”, CE ProfaRegina Célia Doa Reis Oliveira São João de Meriti – RJ.
2019, Projeto Rio Galeria – Mural 85m2, Homenagem ao Zeca Pagodinho e a memória da ex-diretora Ademilda da Silva Maria José Irajá – RJ.
2019, Mural “Não Desperdice seus Sonhos”, Praia da Macumba Recreio-RJ.
2019, Mural na Escola de Circo Benjamim de Oliveira, Venda Velha – São João de Meriti – RJ.
2018, Festival Arte na Rua – Niterói – RJ.
2018, Produção de Evento de Graffiti, C.E. Régina Celia – São João de Meriti – RJ.
2018, Mural em memória de Régina Célia, C.E. Profª Régina Celia – São João de Meriti – RJ.
2018, Mural “Sem Título”, Recreio dos Bandeirantes – RJ.
2017, Mural de Graffiti das Letras, Street Of Style – Curitiba – PR.
2017, Mural “Sem Título” no museu ao céu aberto, Museu Rede Nami – Tavares Bastos – RJ.
2017, 3o Graffiti Absurdo na Casa Absurda, Juiz de Fora – MG.
2016, Evento Pureencontro – Juiz de Fora – MG, Mural “Assuma suas Raízes”.

Clarisse Gonçalves 1998. Graduação em história da arte na UERJ. Pesquisadora e historiadora da arte situada no Rio de Janeiro. Atualmente pesquisa manifestações artísticas periféricas, negras, e afrodescendentes no estado do Rio de Janeiro.