
@___thaisbasilio/
Nascida na Zona Norte do Rio de Janeiro, a artista Thaís Basilio morou em Belford Roxo, Baixada Fluminense, de 1990 até 2021, quando decidiu retornar para cidade onde nasceu. É graduada em Artes Visuais na UERJ e pós-graduada em Linguagens Artísticas, Cultura e Educação no IFRJ. É mestra no PPGAV-EBA-UFRJ, na linha de pesquisa de Linguagens Visuais. Além disso, tem como formação artística os cursos “Desenvolvimento de Projetos” e “Cor e Forma”, no EAV Parque Lage, bem como a mentoria artística “Poéticas Femininas na Periferia”, pelo Artistas Latinas (AL). Em 2022, foi artista residente no ELÃ, no Galpão Bela Maré, e em maio de 2023 inaugurou sua primeira exposição individual, chamada “corpo-máquina”, no SESC São João de Meriti. No ano de 2024, teve uma de suas obras adquiridas pela coleção do IPEAFRO. Desenvolve uma pesquisa sobre temáticas atravessadas pelas seguintes questões: gênero, raça e trabalho, automatização e fabricação de subjetividades, robotização do corpo, “algoritmização” da vida, e o devir negro pelo mundo.
Para começar gostaria que falasse um pouco da sua trajetória como moradora da Baixada Fluminense, quais pontos marcantes em sua vida que a levaram a se tornar artista, como se deu o seu processo formativo universitário e em cursos livres em Artes, e, por fim, como isso reverbera na sua atuação como Professora.
Em 1988, nasci na Comunidade Barreira do Vasco. Com o avanço do poder paralelo no início dos anos 90, meu pai e minha mãe decidiram se mudar comigo para a Baixada Fluminense. Cheguei em Belford Roxo com dois anos e saí com trinta e dois, então foram trinta anos morando lá. Foi naquele território que constitui minhas memórias de infância, as imagens do meu inconsciente, já que sonho até hoje com cenas que lá vivi. Durante o Ensino Médio, estudei em uma escola em Nova Iguaçu que tinha uma excelente professora de Artes. O nome dela é Aline. Lembro de uma aula sobre Impressionismo onde ela levou a turma até a varanda da escola para que pudéssemos pintar ao ar livre, tal como os artistas desse movimento. Foi a minha primeira experiência com a pintura, um momento sublime, uma sensação que eu preciso repetir para dar sentido à vida. Por isso pinto até hoje.
Então, foi no ambiente escolar que me interessei em estudar Artes Visuais, e como descobri que a professora tinha se formado na UERJ, eu quis também me formar lá, queria aprender História da Arte como ela tinha aprendido. Por isso, não tentei ingresso em outras instituições, apenas na UERJ. Quando comecei a graduação foi como se um mundo novo tivesse se aberto para mim, pois agora eu era uma estudante de faculdade pública, a primeira da minha família. Eu queria aproveitar ao máximo aquela oportunidade.

Havia um mural no Instituto de Artes com alguns editais para artistas e outras chamadas. Me inscrevi em uma mostra de artes no Circo Voador, fui chamada para expor uma obra lá, na época eu trabalhava com pintura abstrata. O evento foi bacana, mas as obras nunca retornaram para mim. Ainda assim, foi uma experiência positiva. Continuei pintando e participando de exposições.
Na UERJ, cheguei a fazer outros cursos livres: dança contemporânea, teatro e até italiano. As coisas estavam fluindo artisticamente, quando tive uma surpresa… Em 2009, quando estava quase terminando a graduação, a cegonha decidiu me presentear. A partir daí, a pressão para me estabilizar financeiramente acabou aumentando, pois, enquanto mãe solo, eu iria precisar ter um lar, prover uma casa. Concluí a graduação e logo fui chamada em um concurso que fiz para a Prefeitura de Belford Roxo. Ingressei na minha primeira matrícula em 2011. Foi desafiador no início e ainda é até hoje. Porém, não me vejo lecionando outra coisa a não ser Artes Visuais, creio que seja a minha missão neste plano.
Acredito que, além de ser um rico campo de conhecimento, a disciplina de Artes pode proporcionar uma experiência prazerosa para os alunos. A prática artística pode se apresentar também como um momento de conforto em meio aos conflitos que eles possam estar vivendo. A intersecção entre arte-vida norteia a minha prática em arte-educação, pois a partir do exercício poético, independentemente do tipo de linguagem, os alunos podem vivenciar a verdadeira potência do belo.

Sendo pesquisadora, artista e professora, como a vivência da maternidade transpassa todas essas funções e como ela está relacionada ao seu trabalho e pesquisa? Poderia nos contar um pouco sobre a pesquisa e a vivência da maternidade?
Quando a mulher se torna mãe, algumas crenças sobre abdicação dos projetos pessoais lhe são sugeridas no sentido de que ela desista de seus sonhos e se dedique unicamente aos filhos, à casa, aos outros. Essa é uma questão de gênero que, de algum modo, sempre me rebelei. A primeira etapa da maternidade foi marcada por grande esforço em cuidar da casa, realizar concursos, me estabilizar financeiramente. Sendo assim, houve um hiato da prática e da carreira artística. Com o passar dos anos, minha filha Eva crescia, e aos poucos eu ia vislumbrando um retorno à liberdade subjetiva.

A pandemia de COVID-19 em 2020 e o isolamento social formaram um abismo que serviu de trampolim para a minha carreira como artista. Decidi voltar a pintar, muito influenciada por outros artistas também negros que estavam conseguindo estabelecer o seu espaço. Inclusive, alguns desses artistas eram colegas de graduação, como Pedro Carneiro e Mariana Rocha. À medida que eu me identificava com estes artistas, observando-os se inserir no campo das artes, eu tomava confiança de que era possível aquilo acontecer comigo também. Naquela época, o fato de morar longe do centro do Rio Janeiro, bem como a constatação de um ainda escasso circuito de Artes Visuais da Baixada Fluminense, causavam um certo distanciamento em relação à possibilidade de conseguir expor as minhas obras.
Aqui, pesquisa, prática artística e docência se entrelaçam com a noção de maternidade, que por sua vez se apresenta como uma atividade complexa, em que a mulher exerce uma grande força de trabalho e tempo de vida na missão de educar um indivíduo. E de certa forma, meu trabalho pretende subverter essa maternidade pensada como algo excludente, gosto de trazer a maternidade como uma epistemologia, utilizando como mola propulsora para outras discussões, e também mostrar que uma mãe pode se reinventar, pode produzir artisticamente, pode se autorreferenciar, já que é um indivíduo em seu máximo poder de concepção.
Em 2021, eu já estava certa de que queria mais, apesar do amor ao magistério, pretendia voltar a estudar, fazer mestrado, desenvolver uma série de obras que tivessem alinhadas também com uma investigação teórica, que dialogasse com discussões macro e micropolíticas. Comecei a frequentar aulas do curso de mestrado na ECO/UFRJ para me atualizar e beber de novas referências bibliográficas. Na época, eu cogitava fazer mestrado em Comunicação, me interessava a questão da Cultura Digital e das Novas Mídias, mas também questões sobre biopolítica e estatuto da imagem na era da informação. Aos poucos, fui entendendo que a noção do corpo também me cativava, uma vez que sempre pintei pessoas, personagens. Por fim, elaborei uma série que juntava tudo: a carga excessiva de trabalho que eu acumulava nas escolas, os dilemas de se desdobrar entre trabalho, estudo, produção artística e maternidade. Fora outras atividades. Eu mesma que perguntava se era uma pessoa ou uma máquina, refletindo sobre quais papéis sociais se esperam de uma mulher negra. Enquanto uma crise existencial me tomava, eu pintava, fazia isso de forma política, pela reivindicação da minha subjetividade. A pesquisa corpo-máquina, portanto, nasceu de uma vontade de representar esse corpo que está para o ofício, corpo constantemente despersonificado na etapa neoliberal, corpos subalternos que são lidos apenas como força de trabalho. Nas diversas vezes em que represento esse corpo-máquina, represento o corpo grávido, ou ainda mães com seus filhos no colo, mães trabalhando. Em muitas dessas imagens, eu substituo a cabeça das personagens pelo símbolo de uma engrenagem, estabelecendo uma referência com uma peça do universo fabril.
Aproveitando para aprofundar mais um pouco sobre a sua trajetória enquanto artista, dois pontos que podemos destacar é a participação da exposição “Poéticas Femininas na Periferia” organizados pelo Artistas Latinas e consecutivamente a participação como artista residente no ELÃ, no Galpão Bela Maré e também na exposição FAIM (Festival de Artes em Imbariê). Como essas experiências se destacam em sua carreira, aproveite para contar um pouco mais sobre as obras apresentadas e desenvolvidas em cada uma dessas participações.
A exposição “Poéticas Femininas na Periferia” ocorreu em um momento muitíssimo especial, no período pós-pandemia. Digo que foi especial, pois era um momento de retomada para mim e para vários outros artistas. O cenário de Artes Visuais carioca estava se redesenhando e as agendas territoriais, de gênero e raciais borbulhavam nas produções dos novos artistas. O Instituto Artistas Latinas estava começando, e uma dos seus primeiros projetos foi criar uma mentoria gratuita para artistas periféricas iniciantes. Me inscrevi no edital da mentoria e fui selecionada. E todo o processo do curso foi muito intenso, com aulas de História da Arte pelo viés de mulheres latinoamericanas, racializadas e de territórios descentralizados, ministradas pela Isabel Carvalho. Havia também um acompanhamento da poética das artistas com a Andrea Hygino. Cada aula era uma experiência única, lá eu conheci vários artistas importantes na minha caminhada até hoje. O AL, idealizado e gerido pelo visionário Paulo Farias, nos ofereceu como trabalho final a oportunidade de expor em uma sala do Paço Imperial. Acredito que foi a primeira exposição em um espaço institucional para muitas das artistas da turma de mentoria. Depois dessa primeira exposição, fui convidada a participar de várias outras exposições produzidas pelo AL, inclusive a exposição “Abolicionistas Brasileiras”, que ocorreu em março de 2024, no Museu de Arte do Rio (MAR).
Na ocasião desta exposição “Poéticas Femininas na Periferia”, eu apresentei uma obra chamada “Passageiro”. Os materiais utilizados durante o processo criativo desta obra estavam sob meu alcance. Trata-se de objetos que eu tinha em minha casa. A partir dessa materialidade disponível no espaço doméstico – tema presente nas minhas produções – pude construir um repertório artístico acessível, uma poética do cotidiano.
“Passageiro” é uma instalação que representa um personagem negro, simbolizando seu devir pelo mundo. Uma cabeça que carrega o peso de uma trouxa de roupas, indicando ideia de transitoriedade. Tal deslocamento pode ser interpretado como a saída do personagem do continente africano para as Américas (diáspora), ou ainda, o trânsito de um trabalhador que mora no interior em direção às regiões centrais da cidade (mobilidade urbana). Outra possível interpretação da obra seria sua aproximação com a imagem de Esú, orixá que atua como mensageiro entre humanos e divindades.

Duas outras “escolas” que foram muito relevantes para a minha formação foram a Residência Elã (Escola Livre de Artes), no Galpão Bela Maré, e o FAIM (Festival de Artes em Imbariê). A passagem pela Elã me possibilitou muitas experiências novas, incluindo trabalhos de corpo, no caso a Yoga, vivências em Comunidades Indígenas, incursões pelo Complexo da Maré, além da própria convivência com outros artistas relevantes da minha geração que estavam na mesma turma que eu. Por possuir uma equipe muito arrojada e profissional, a formação da Elã contribuiu muito para o senso estético da minha produção atual, em especial as conversas com o curador Jean Azuos, que tanto me direcionaram poeticamente. Já o FAIM é um festival que eu sempre sonhei participar, lembro de há aproximadamente três anos, sempre comentava com meus amigos da Baixada Fluminense que gostaria de ser notada pelo idealizador do festival, o Osmar Paulino. Naquela época, eu já admirava a iniciativa, que era de criar um circuito cultural na Baixada que abarcasse as Artes Visuais. O FAIM representava essa vanguarda, esse movimento de reunir visualidades da Baixada. Hoje tenho a honra de já ter participado de uma edição do FAIM, fora a realização de outras parcerias com o Osmar Paulino.
A obra que apresentei no FAIM foi a pintura “Colo”. A obra retrata poeticamente a realidade de muitas mães de classes subalternas. O símbolo da engrenagem substitui a cabeça de uma mãe e do bebê em seu colo, estabelecendo uma relação entre corpo feminino e trabalho. São muitas as mães periféricas que enfrentam grandes desafios pouco discutidos. Além da solidão afetiva, muitas delas precisam sair para trabalhar e manter a casa sozinha. A maternidade acaba sendo uma extensão da força braçal dentro de suas casas e de seus empregos, e dentro da lógica neoliberal como um todo. Com a grande repercussão dessa obra, criei outras em que desdobrava algumas questões sobre maquinização do corpo. “Desautomatizar-se”, que apresentei na exposição “Ecologias do Bem-viver”, ao final da Residência Elã, é um exemplo delas.
Passemos agora para a sua individual Corpo-Máquina, no SESC de São João de Meriti. Gostaria de saber mais sobre a sua pesquisa e série, como surgiu, conte-nos um pouco dos desdobramentos artísticos e quais questões você materializa em suas pinturas.
A série “corpo-máquina” surgiu durante um momento de crise, devido à falta de tempo para criar. Eu queria pintar, também queria descansar, viver a vida, ter maior contato com a natureza, mas tinha me comprometido com o trabalho acima de todas essas outras esferas. Em 2021, cheguei a acumular vinte e duas turmas. Ou seja, era muito trabalho em sala de aula, fora a quantidade de trabalho que eu realizava em casa. Na época, eu lecionava no município de Belford Roxo e também na rede estadual. As escolas do Estado também se situavam em Belford Roxo. Certa vez, eu e uma amiga tecíamos críticas ao circuito de Artes Visuais do Rio de Janeiro, o currículo carioca, que na época era mais excludente em relação aos artistas da Baixada Fluminense. Pensávamos sobre estratégias de inserção. Na época, as possibilidades eram muito turvas e o tempo, escasso. Então, de forma irônica, eu disse que iria criar uma obra chamada “estudo anatômico da mulher-máquina”. No entanto, a brincadeira se tornou verdade, fiz essa obra-piloto que, posteriormente, tornou-se uma série. Em seguida, transformou-se em pesquisa acadêmica e também no tema da minha primeira individual.
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Inicia-se um conjunto de obras que discutem a noção de corpo na etapa neoliberal, além de incitar as seguintes questões: a que o corpo subalterno atende? Ao observar a situação de cima, entendemos que nossos corpos têm vivido para si mesmos? Em que medida se dá a captura da liberdade de nossos corpos?

A hipótese da pesquisa, que desenvolvi durante o mestrado na UFRJ, é de que o corpo subalterno dedica-se principalmente ao trabalho remunerado. Sendo assim, na era em que vivemos, não há separação entre corpo e máquina. O corpo subalterno está engajado em empregar força de trabalho, e mais força e mais força, e esse movimento faz com que cada corpo torna-se uma mera peça do grande maquinário capitalista. Na verdade, é um tema já bastante discutido. Mas o diferencial desse debate, aqui, é o recorte de gênero e raça, implicado com a questão do corpo automatizado. A partir disso, torna-se uma investigação sobre o processo de objetificação e maquinização dos corpos racializados, e mais especificamente, dos corpos das mulheres negras.

Durante o processo de escrita da pesquisa “corpo-máquina”, alguns desdobramentos foram suscitados, principalmente no que toca à agenda racial e de gênero. Bem no início da escrita da dissertação, eu estava me mudando de casa, estava saindo de Belford Roxo para morar em São Cristóvão, onde eu moro atualmente. Ao alugar o apartamento, me deparei com algo que me soou como novidade: o chamado “quarto de empregada”. Assim que o vi, já sabia que seria meu novo espaço de ateliê. A partir disso, a historicidade que envolve tal cômodo foi se incorporando ao trabalho. Sendo assim, ao fazer um levantamento sobre a história da moradia no Brasil, percebi a relação entre mulheres negras e o quarto de empregada. Sabe-se que, logo após a abolição da escravatura, as pessoas libertas passaram a ser absorvidas pelo espaço doméstico de seus antigos “donos”. Nesse contexto, surgiu o quarto de empregada, um cômodo típico de apartamento de classe média e alta nas casas brasileiras. Ainda hoje, corpos racializados são frequentemente vinculados ao trabalho braçal ou serviçal. Mesmo desempenhando trabalhos intelectuais ou artísticos, enfrentam questionamentos e cobranças devido ao imaginário que associa determinadas funções a esses corpos. Surge então a necessidade de criar uma nova série, que nomeei de “Quarto de Desejo”. Fazendo referência ao livro “Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus, nessa nova série consigo estender todos os temas já citados à ideia de “domesticidade”, pensando a relação com a casa, perpassando também pela crítica sobre a falta de tempo e espaço para que mulheres negras possam ter o próprio ateliê – algo fundamental para a inserção no mercado de Artes Visuais.

fios de nylon e miçangas em formato de engrenagem). 2023.
Foi muito simbólico que a minha primeira individual tenha sido no SESC de São João de Meriti, na Baixada Fluminense. As obras apresentadas na exposição realmente nasceram dessa relação com a Baixada, o que tem forte relação com toda essa experiência de produzir arte residindo em uma cidade-dormitório. Acredito que o trânsito de corpos, esse movimento de ir trabalhar na região central e de voltar para a cidade-dormitório, é uma camada essencial para o processo de maquinização do corpo. Trata-se de um transporte diário da força de trabalho que será desempenhado pelos corpos subalternos. Porém, nessa exposição, foram apresentadas também obras que sugerem o direito ao descanso. Nesse sentido, o descanso surge como ato de desobediência. Trata-se de uma exposição em que defendo a necessidade de se rebelar contra a cobrança social de produtividade incessante. Outro ponto interessante sobre a individual corpo-máquina foi o diálogo com o público baixadense.
A galeria fica dentro da unidade do SESC, que conta com várias outras atrações como piscina, sala maker, teatro, entre outros. Percebi que a dinâmica funciona da seguinte maneira: as pessoas vão ao SESC para realizar suas atividades e passam na frente da galeria, ficam curiosas, entram e assim conhecem as obras. Mas também teve muita gente que foi só pela exposição. A circulação do trabalho com o público da Baixada foi muito positiva, e a partir dessa experiência pude conhecer muitas pessoas interessadas em arte daquela região. Até mesmo outros artistas da Baixada, o que é muito enriquecedor, pois nos conectando podemos fortalecer nossa rede.
Sendo uma artista em evidência, finalizando o mestrado e renovando os ciclos em sua carreira profissional, o que podemos esperar para o futuro? Tem algum palpite? Se pudesse deixar uma mensagem para você no futuro, o que esperaria ouvir? Que mensagem deixaria para as gerações que estão por vir sobre a sua trajetória?
Anseio por um futuro em que as classes subalternas possam ter tempo para além do trabalho, tempo de se dedicar a uma vida mais abundante e prazerosa. Um futuro em que o descanso do corpo seja respeitado. Um futuro em que a experiência da maternidade seja menos solitária. Um futuro em que existam ateliês nas periferias. Um futuro em que mulheres, mães, pessoas racializadas possuam tempo e liberdade para se dedicar à vida artística, caso assim queiram. E claro, desejo tudo isso para mim também. Futuramente, almejo receber uma carta do passado, com a seguinte mensagem: “Você fez tudo o que podia. Agora, descanse!” Para as próximas gerações, eu espero que meu próprio trabalho seja a mensagem. Foi o que sempre pretendi, principalmente com as pinturas. Espero que as imagens que produzi sejam vistas como um retrato social, do Brasil e do mundo.

EXPOSIÇÕES
2024| ABOLICIONISTAS BRASILEIRAS – MUSEU DE ARTE DO RIO
2023 | INDIVIDUAL – CORPO-MÁQUINA – SESC SÃO JOÃO DE MERITI
2023| FUNK: UM GRITO DE OUSADIA E LIBERDADE – MUSEU DE ARTE DO RIO
2023| FAIM 2023 – CASA AMARELA DE IMBARIÊ
2022| ARTE COMO TRABALHO – MUHCAB
2022| ECOLOGIAS DO BEM-VIVER – GALPÃO BELA MARÉ
2022| IDOLATRADA SALVE! SALVE! – FÁBRICA BHERING
2022| IMAGINÁRIO PERIFÉRICO 20 ANOS – CAPIBERIBE 27
2022| SARAVÁ – GALERIAANITA SCHWARTZ
2021| SUBURBANIDADES – MAC NITERÓI
2021| QUANDO OLHO NO ESPELHO – TEATRO PRUDENTIAL
2021| VOZES NEGRAS NAARTE UFRJ/PPGAV
2021| PARA ALÉM DA MARGEM
2021| MAV-BXD
2021 | NZANZA
2021 | PROJETO DOSSEL
2021 | CONEXÕES PERIMETRAIS
2021 | POÉTICAS FEMININAS NA PERIFERIA – PAÇO IMPERIAL
2013 | CAMINHO VELHO CAMINHO – HOSTEL CONTEMPORÂNEO
2013 | FUTURA – CENTRO DE ARTE MARIA TERESA VIEIRA
2008 | MOLA – CIRCO VOADOR

Mateus A. Krustx é artista visual, educador e curador. Graduado em Artes pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Mestre em Arte e Cultura Contemporânea pelo PPGArtes/UERJ.