Entrevista Antônio Amador

Mestre em Estudos Contemporâneos das Artes PPGCA/UFF em 2019. Graduado em Pintura pela EBA/UFRJ em 2013.  Participou de cursos e oficinas na Escola de Artes Visuais do Parque Lage entre 2012 e 2014. Integrou o Laboratório Contemporâneo para jovens artistas na Casa Daros em 2014. Cursou em 2016 o acompanhamento de processos artísticos no Saracvra. Em 2017, participou do curso Imersões Poéticas pela Escola Sem Sítio. Artista visual com interesse em práticas processuais e performáticas que pensam o estudo do corpo e a criação de metodologias de comportamento e rotinas.

 Site: www.antonio-amador.com

Todo sangue que eu tiro do meu corpo para me manter vivo, 2018. Sangue do artista sobre papel. 10cm x 10cm cada papel_
Todo sangue que eu tiro do meu corpo para me manter vivo

_ Antônio, uma poética interessante recorrente no seu trabalho tem origem numa questão bastante pessoal. Em “Todo sangue que eu tiro do meu corpo para me manter vivo”, você trabalha diretamente com seu próprio sangue e a condição de alguém que vive com diabetes. Em que momento você percebe a possibilidade de se trabalhar com a essa condição enquanto proposição artística?

É bem difícil precisar um momento específico, mas vou tentar. Esses trabalhos começam a ser desenvolvidos logo após eu terminar minha graduação em pintura. Nessa época, estava bastante empenhado em “descobrir” um campo de pesquisa. Fazia isso de maneira muito empírica e experimental. Pegava um assunto, um processo, algo que acha interessante desenvolver e começava a experimentar. Cotidianamente. Era muito “solto”. Concomitante a isso, fazia um ano que eu tinha sido diagnosticado com a doença e iniciado o tratamento. Estava me acostumando com a rotina do tratamento e a mudança de hábito. Em algum momento, começo a perceber que essa rotina clínica poderia ajudar a minha rotina de prática artística. Replicar esse método de trabalho. Meu primeiro movimento foi o óbvio, aproximar as duas experiências. Imbricar esses dois “eus”. O que lida com uma condição específica de tratamento clínico e o que lida como produtor de experiências em arte. Não que virem uma coisa só, mas tentar permear esses campos. Criar aproximações.

_ Como foi pra você, a realização de que existia a possibilidade de se trabalhar com a doença?

Não foi nada muito especial ou transformador. Foi bastante ordinário. Foi a mesma realização de se trabalhar com tinta ou grafite ou qualquer outro “material”. Mas isso é algo meu. Outras pessoas terão relações diferentes com suas próprias especificidades. Isso ocorre, talvez, por conta do tratamento e mudança de rotina que a doença pede

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Todo sangue que eu tiro do meu corpo para me manter vivo

_ Você comenta sobre a realização do trabalho “até minha cura ou morte”, houve alguma mudança em relação a sua forma de lidar com a diabetes antes e depois de começar a explorar esse meio como possibilidade artística?

Acho que uma coisa influenciou a outra. Devido a prática artística, acabou tendo uma atenção maior para o meu corpo, e essa atenção maior acaba alimentando a pesquisa e desenvolvimentos dos trabalhos. Mas, para além disso, essa afirmação tem um tom meio “barroco” que gosto do trabalho. Mas é porque esse trabalho parte do método mais comum e barato de verificação da glicemia. Eu recebo os insumos (fitas, agulhas)  para o tratamento pelo SUS. Já existem outros métodos de verificação que não é necessário se furar todos as vezes para retirada do sangue, mas eles são bastante caros para manter. O que torna inviável para mim isso. Logo, minha única opção hoje é continuar me furando sempre. Essa é a única opção de tratamento para mim e o meio do trabalho existir. Aí a afirmação “até minha cura ou morte” ser as condições para que o trabalho termine, pois será o momento em que não serei mais obrigado a realizar esse método.

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Mae Ukemi (série a primeira coisa é aprender a cair)

_ Quando você lida com seus próprios fluidos corporais, é possível estabelecer uma ligação com arte abjeta. É inevitável pensar arte abjeta sem mencionar Georges Bataille, existe alguma relação, ou início de relação da sua produção com os escritos de Bataille?

Então, nunca li Bataille. kkkkkk Tá na listinha de autores para ler um dia. Talvez tenha lido por citação de citação, mas não me recordo. Mas com relação aos fluídos, eles não são eles. Eles somos nós em alguma medida. Tem um quê de auto retrato, um quê de repulsa, mas o interessante é que tem um quê de vir a ser. É o meu sangue, é o meu suor, mas em certa medida, nós partilhamos esses fluídos. Partilhamos na visualidade, pois quando olhamos, pode ser de qualquer um. Então o “pode vir a ser” é uma potência tanto de uma subjetividade e de uma coletividade. Vai depender do discurso/linguagem imbricada em cima do fluído. Bom, pelo menos gosto de pensar assim hoje.

_ Quando você fala sobre “eles não são eles. Eles somos nós”, como você encara essa parte da sua produção? Como você comentou, trabalhar com seus fluidos acaba por ser uma prática natural. Alguma vez, durante a realização ou desdobramento de algum trabalho você teve outra percepção sobre sua materialidade?

Acho que isso tem a ver com a representação. Porque os fluídos vieram, literalmente, de nós. Diferente de usar um outro material, como tinta ou carvão, e realizar uma representação de mim mesmo, crio um auto retrato usando meus fluídos. Acho que a condição da representação é colocada em evidência de forma literal, só pelo fato de tentar a representação usando minha própria matéria, algo que se esvai do meu corpo.  Sinto que não dá para ser mais “real” do que usando isso e, ao mesmo tempo, causa uma sensação de distanciamento. Porque aquele fluído já não faz mais parte de mim. Fixou-se em outra coisa. É uma sensação estranha e fugidia. É como se você se colocasse de lado para um espelho e tentasse se olhar de canto de olho. Não sei se faz sentido isso, mas é confuso para mim.

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Seringas, 2019

_ Em “Seringas”, você também trabalha um objeto que possui relação direta com as obras citadas acima, você pode comentar um pouco sobre esse trabalho e sobre sua relação com esses objetos?

Ele está comigo desde 2015, mas nunca pensei ele como trabalho. Ficava comigo como um objeto de “decoração”. Ele virou trabalho quando eu estava montando minha última exposição individual. Sentia que ele precisava habitar o mesmo espaço que outros trabalhos, como acontecia em minha casa. E o trabalho em si é um exercício bem simples. Operar a aproximação de dois objetos que possuem a mesmo função, mas estão distanciados pelo tempo. Uma tentativa de aproximar fisicamente para dilatar o tempo. Não sei se funciona.

ah, ambas são(ou foram) usadas para a aplicação de insulina. A mais antiga era exclusiva para a aplicação do medicamento, isso é informado na embalagem e na seringa. E a mais nova, que você pode comprar na farmácia, é usado para a aplicação de qualquer substância de maneira subcutânea. Acho um dado legal também.

_ Sua performance “Açúcar ou Adoçante?” também lida com um aspecto do cotidiano de quem vive com diabetes. Aqui, a relação entre seu corpo e sua produção artística também é evidente. Você pode comentar um pouco mais sobre a elaboração dessa performance?

Esse foi o primeiro trabalho que realizei elaborando essas questões. Ele surge em um contexto de apresentação dentro de um curso que fiz. Tínhamos que nos apresentar, de qualquer maneira bem livre, em no máximo 5 minutos. Já estava com o desejo de aproximar essas questões e enxerguei esse espaço como uma oportunidade para colocar isso no mundo. Basicamente, eu queria trabalhar duas questões cotidianas na minha vida. Tomar café e a diabetes. Uso a condição da restrição (não poder escolher o açúcar como opção a pergunta) como potência subversiva a pergunta. Hoje, refletindo sobre esse trabalho, enxergo que ele lida com um campo simbólico muito denso, tanto biográfico como histórico. Coisa que eu não tinha muita noção na época, ou talvez achava que andavam separados. O café, o sangue, a doçura imbricada do gesto. Talvez ele lide muito mais como um trabalho “conceitual” do que como visualidade, também pelas condições que eu o realizei.

_ Foi a primeira vez que você trabalhou performance?

Sim.

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Co(r)tação do açúcar

_ Em “Co(r)tação do açúcar”, você também lida com a questão do açúcar, mas, diferente da abordagem presente em “Todo sangue que eu tiro do meu corpo para me manter vivo”, você trabalha através da visão econômica. Você pode comentar um pouco mais sobre essa série?

Este trabalho surge dentro do contexto da pesquisa para pensar uma relação direta: diabetes e açúcar. Volto-me para o açúcar muito para entender ele como um elemento imbricado em mim de diversas maneiras. Não em um sentido de estigma ou dano ao meu corpo, mas sim para compreendê-lo em suas especificidades. Entendê-lo e percebê-lo nos múltiplos espectros no qual ele pode se apresentar. Neste trabalho, tento evidenciar o caráter abstrato que alguns elementos físicos podem assumir, no caso a condição de valor e commoditie. Começo a entrar todos os dias úteis de funcionamento da bolsa de são paulo e anotar o valor de venda e suas variações com o passar do dia. De certa forma, essas informações seriam uma ponta da linha de produção do elemento açúcar transfigurado em commoditie. A outra ponta seria o material humano base utilizado na transformação de um elemento natural em produto que, por sua vez, pode ser inferido como commoditie. Pego a imagem do cortador de cana, pois é uma imagem direta desse material humano. Assim, acho que o procedimento que tento fazer é mostrar ao mesmo tempo duas pontas de um mesmo sistema financeiro específico. Tentar justapor duas condições humanas geradas pelo açúcar. Existem outras, mas achei interessante essa aproximação de pontas de uma cadeia. Assim, pragmaticamente, eu anotava os valores e no final do mês eu produzia um desenho com esses valores. E fiz isso durante todo o ano de 2015.

Outra coisa relevante, ao meu ver, é o procedimento que utilizo no trabalho. Neste trabalho, começo a usar os procedimentos que uso em trabalhos sobre a diabetes, ou de grosso modo, de trabalhos “biográficos”. Foi uma abertura para pensar o procedimento como metodologia e prática artística. Algo como: Quero fazer um calendário. Mas esse calendário irá contar o tempo tendo como referência os valores do açúcar como commoditie. E será produzido mensalmente.

_ Eu gostaria de ouvir um pouco mais sobre a questão da modificação da sua percepção quanto ao processo. Esse trabalho de certa forma parece acabar tendo modificado sua relação com o fazer artístico. Hoje em dia, quais mudanças significativas você consegue perceber enquanto produz?

A principal percepção que tenho hoje sobre minha prática artística é a de tentar instaurar a ideia de procedimento como método de trabalho. Explico-me. Tenho uma predileção em realizar um gesto ou ato e tento esgarçar isso através da repetição. Bater o ponto por um ano, acompanhar os valores do açúcar durante um ano, tentar meditar até conseguir 72h acumuladas. Então, crio um procedimento a ser realizado e tento ver até onde eu consigo ir com ele. Normalmente isso se faz como obra através do acúmulo. Seja esse acúmulo do campo temporal, ou do material, ou até mesmo da linguagem. O interessante desse viés de trabalho a partir do procedimento é o caráter de rigor e disciplina no qual provoco e sou provocado constantemente durante o fazer artístico. Acho que é uma condição de se colocar em constante exercício. Uma “ginástica artística”

_ Antonio, durante essa peça você expõe também imagens de trabalhadores braçais que trabalham cortando cana. Em algumas de suas peças, como “Trabalho”, você lida também com sua própria condição enquanto artista e trabalhador, existe alguma relação entre as duas peças?

Sim. Em “Trabalho” eu começo a explorar mais o método de trabalho que uso em “co(r)tação do açúcar”. Definir um procedimento a ser feito durante um determinado período. De uma maneira diferente, “Trabalho” lida com a forma de medida de tempo como acontece em  “co(r)tação do açúcar”. Acho que o que mais aproxima ambos os trabalhos, na minha perspectiva de tê-los feitos, é a tentativa de criar ou evidenciar outras formas de mensuração do tempo. Formas que nós escolhemos ou que nos é imposta.

Trabalho” é um trabalho difícil de explicar com palavras. Ele nasce em uma casualidade: Um dia, no trabalho no qual eu batia um ponto biométrico para indicar meus horários de entrada e saída do serviço, ocorreu de eu chegar as 9:09 e sair para o almoço as 12:09. E eu percebi que era dia 09. Achei aquilo muito cômico, uma piada ruim. Depois eu me lembrei de uma performance do Tehching Hiesh (https://www.tehchinghsieh.com/oneyearperformance1980-1981) no qual ele se propunha a bater um ponto manual, todas as horas do dia, durante um ano. Fiquei pensando nessas coisas e elaborei o “Trabalho” parecido com o método de Hiesh, só que diferente. Me propus a replicar a coincidência que aconteceu comigo: bater os minutos igual ao dia corrente. E realizá-lo durante um ano, como a proposição de Hiesh. Acho que a diferença crucial está que meu trabalho era mesmo um trabalho. Eram micro-momentos de performance inseridos dentro de um trabalho que o fim não era a produção da performance.

Enfim, acho que a principal relação é a condição de medida de tempo, ora imposta ora escolhida, dentro de nossa vida e sociabilidade.

Outra coisa, também, é um espécie de “desafio” auto-imposto. Tipo um jogo. Colocar um procedimento a ser realizado e testar a minha capacidade em realizá-lo ou não. Em errar muito ou não. Isso não aparece em “co(r)tação do açúcar”, porque era um exercício “fácil”: tomar notas dos valores. Mas era um ponto importante quando estava produzindo o trabalho.  Já no “Trabalho” essa condição de procedimento já vem mais evidente, pois é uma matriz basilar para a produção do trabalho. Essa reflexão, tem mais a ver com minha prática artística, ou que eu estou pensando sobre ela hoje e tal. Talvez não seja uma aproximação direta entre os trabalhos.

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Trabalho, 2017

_ Sua proposta em “Trabalho” é bastante interessante, e trabalhosa. Desde a primeira vez que vi a peça, a questão sobre relações de trabalho me vem à cabeça. Alguns locais de trabalho são mais flexíveis e humanos que outros, como foi pra você realizar essa peça no seu ambiente de trabalho? Não apenas artisticamente, mas também enquanto profissional. Houve alguma represália?

Foi bastante interessante. Na época desse trabalho, eu trabalhava em um museu como educador. Antes de começar a fazer a realizar de fato a obra, eu conversei com minha gerente direta. Conversamos bastante sobre como poderia ser potente essa proposta, para além se ser só um trabalho meu. Como essa proposta poderia denotar significados no nosso ambiente de trabalho. Só falei com ela e ela deu Ok para eu realizar. Fiz esse movimento de negociação para fazer o trabalho porque minha gerente era uma pessoa muito crítica, perspicaz e de grande sensibilidade para as práticas artísticas e acompanhamento de processos. Além disso, entrar em negociação também é uma relação trabalhista. Não faria sentido fazer um trabalho que vai abordar questões de tempo de trabalho e fazer uma abordagem que não reflete a própria condição de trabalhador.

Bom, comecei a fazer e só depois de 3 meses é que o Rh da empresa percebe. kkkkk Eles me chamaram para conversa e já imagino que vou levar alguma advertência. Primeiro, perguntaram se eu tava maluco, ai eu explico o que era a performace/trabalho. Eles acham legal e começam a “torcer” por mim. kkkkk Vendo que algum dia eu bati atrasado, etc. Mas uma coisa interessante que teve nessa conversa foi saber que eu era a única pessoa do museu que estava fazendo as 8h diárias. No emprego era usado o sistema de banco de horas. E o normal, por ser uma condição humana de trabalho, é que você esteja devendo horas no banco (chegou atrasado, saiu cedo, etc.) Ou então esteja com horas positivas (precisou fazer hora extra por algum motivo.) Esse era o padrão. O padrão dos trabalhadores era “não conseguir fazer” o contrato de trabalho de 8h diárias, falando a grosso modo.

Outras coisas legais também foi que eu comecei a evidenciar erros da própria máquina de ponto. Quando o papel de comprovante acabava, ela não bati meu ponto eletrônico, mesmo eu estando na hora correta para bater. Eu tirava foto e mandava para o RH consertar manualmente. Teve uma vez que a máquina leu a minha digital como se fosse de outra pessoa. E era um dia que a pessoa não trabalhava. Falei com o RH e eles entraram no sistema e confirmaram o ocorrido e alteraram. Não souberam explicar porque aconteceu isso. Tem mais coisas, mas acho que essas foram a mais interessantes que o trabalho evidenciou dentro do meu emprego.

 

_ Quando você fala sobre o trabalho “Açúcar ou Adoçante?”, dá pra perceber que o trabalho surge com um sentido no momento, e acaba se desdobrando a outras narrativas e percepções com o avanço do tempo. Isso já aconteceu com algum outro trabalho seu?

Acho que isso acaba acontecendo em todos os meus trabalhos. Tenho um costume de retornar a olhar alguns trabalhos antigos e tentar conversar com eles com minha cabeça de hoje, um eterno Work In Progress. Mesmo que eu não vá “refazer” o trabalho, eu faço uma reflexão sobre o que foi e o que é ele agora para continuar minhas produções. Mas acho que isso acontece porque ainda estou em início de carreira. Considerando que tenho um produção e circulação mais intensa de 5 anos(2014-2019) para cá.

dissertação
Dissertação de mestrado

_ Você trabalha diretamente uma prática que envolve mediação entre prática artística e trabalho/emprego. Como é pra você, enquanto artista conciliar empregos e sua carreira enquanto artista?

Bom, é que eu encaro o trabalho de arte como um trabalho. É uma posição ética que me coloco. O que acontece é que não consigo fonte de renda suficiente atualmente apenas com isso. Logo, preciso fazer uma jornada dupla de trabalho para resolver esse problema meu. O trabalho de arte possui uma flexibilidade que permite fazê-lo durante uma jornada de outro trabalho, mas ainda assim é uma jornada dupla, pois continuo a pensá-lo em outras horas. Outra coisa também é colocar proposições práticas e objetivas para sanar o problema de renda. Em 2017, quando estava no mestrado, começo a realizar o projeto “Arte mais em conta” que é a monetização e venda da minha própria produção artística tendo como parâmetro os meus gastos mensais de subsistência. Dessa forma, coloquei em minhas redes sociais todas as contas que recebi mensalmente e precifiquei as obras no valor exato de cada conta. Então, literalmente, eu coloco uma conta que preciso pagar junto com um trabalho meu e tento vender por esse valor. Um movimento para pensar o básico da relação de trabalho que é precisar pagar as contas que chegam.

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Trabalho
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Co(r)tação de açúcar

_ Sabemos que no Brasil viver apenas de arte é uma tarefa praticamente impossível, principalmente com os constantes ataques do atual governo. Você traz frequentemente relações de trabalho pra dentro do campo das artes plásticas, tomando como exemplo suas peças “Trabalho” e “Co(r)tação do açúcar”. Como é a sua relação com a mediação entre trabalhar e ao mesmo tempo ser artista? Alguma vez você já se viu pressionado a escolher entre os dois campos?

Acho que é como falei anteriormente. Tento sempre pensar o trabalho de arte como trabalho. Só que o problema da renda é que aperta mais. E acho que isso é um problema comum para muitos artistas. Acho que nunca me vi pressionado a escolher entre esses dois campos. Porque como eu faço as coisas e me coloco no mundo é como eu me enxergo como artista. Talvez a pressão seja no fato de ter que escolher outros trabalhos concomitantes a esse para poder suprir a necessidade de renda que não encontro com relação ao trabalho de arte. Nesse ponto que o calo aperta. E a balança sempre vai pesar para a condição de renda.

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EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS

2019 “O artista convoca” – Curadoria: Daniele Machado – Galeria Desvio – Rio de Janeiro, RJ

​2016 “Açúcar” -Curadoria: Desirée Monjardim – Sala José Cândido de Carvalho/Fundação de Arte de Niterói – Niterói, RJ

2013  “Padrões – Mulheres” – Curadoria: Christine Alves – Galeria Instituto Cultural Germânico – Rio de Janeiro, RJ (requisito para conclusão do curso de Pintura EBA/UFRJ)

EXPOSIÇÕES COLETIVAS

2019  “Lavra” – Organização: Alice Ferraro, Carine Caz, Dinah Oliveira, Jéssica Guia e Jessica Kloosterman – Praça Tiradentes – Rio de Janeiro, RJ.

“Artes  Aquáticas” – Curadoria: Daniele Machado e João Paulo Ovídio – Centro Esportivo e educacional Golfinhos da Baixada – Queimados, RJ.

 “Impávido Colosso” – Curadoria:  Bianca Madruga, Jessica Di Chiara, Letícia Tandeta Tartarotti e Pollyana Quintella – A MESA – Rio de Janeiro, RJ.

​2018  “Experiência 16 – Mesa de Cabeceira” – Proposição: Mariana Paraizo – A MESA – Rio de Janeiro, RJ. 

“Trans-In-Corporados 2” – Comissão curatorial: Felipe Ribeiro, Maria Alice Poppe, Janaína Melo, Julia Baker, Lígia Tourinho, Sérgio Andrade – Museu de Arte do Rio – Rio de Janeiro, RJ.

 “Pouso de Emergência” – Curadoria: Rafael BQueer e Vinicius Monte – Caixa Preta- Rio de Janeiro, RJ.

 “Destraços” – Curadoria: Renata Maneschy – Centro de Artes UFF – Niterói, RJ.

“A Grandiosa Festa Junina de Santo Antonio  do Abacaxi” – Curadoria: Pollyana Quintella – Solar dos abacaxis – Rio de Janeiro, RJ.

“Greve Geral na Phábrika” – Centro Cultural Phábrika – Rio de Janeiro, RJ. 

“Opções de Fim de Mundo – Arte Londrina 6” – Curadoria: Felipe Scovino e Danillo Villa – Casa de cultura/UEL – Londrina, PR. 

“Corpo substância” – Curadoria: Milena Costa – Galeria Ponto de Fuga – Curitiba, PR. 

“18′ Linhas Provisórias, Exposição Permanente” – Curadoria: Daniele Machado. Curadoria Assistente: João Paulo Ovídio e Thatiana napolitano. – Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica – Rio de Janeiro, RJ.

“Abre alas 14” Curadoria: Clarissa Diniz, Cabelo e Ulisses Carrilho – A Gentil Carioca – Rio de Janeiro, RJ.

“Flutuantes” – Paço Imperial – Rio de Janeiro, RJ. 

​2017 “Saguão de Arte” – Reitoria UFRJ – Rio de Janeiro, RJ. 

“Políticas Incendiárias” Comissão Curatorial: Ivair Reinaldim, Julie Brasil, Gabrielle Nascimento, Maykson Sousa e Rodrigo D’Alcantara. – Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica – Rio de Janeiro, RJ

 “PEGA – 1° Encontro de Estudantes de Graduação em Artes do Estado do Rio de Janeiro” – Curadoria: Ana Pimenta, Ana Noronha, Daniele Machado, Felipe Amâncio, Pedro Pessanha e Thiago Fernandes – Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica – Rio de Janeiro, RJ. 

“Solo Projects [Rio] Novas Poéticas 2017” – Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ – Rio de Janeiro, RJ.

 “Nanica | Exposição Portátil” – Curadoria: Pollyana Quintella – Saracura – Rio de Janeiro – RJ

“S.O.S. SARACVRA” – Saracura – Rio de Janeiro – RJ 

” Carpintaria para todos” – Carpintaria – Rio de janeiro -RJ

 “46º Salão Novíssimos 2017 ” – Curadoria: Cesar Kiraly – Galeria de Arte Ibeu – Rio de Janeiro – RJ

 “27ª Mostra de Arte da Juventude – Artistas Premiados” – Curadoria: Leonardo Araujo e Luiza Proença – Sesc Ribeirão Preto – Ribeirão Preto – SP 

 “Insistência” Curadoria: Pollyana Quintella – Centro de Artes Calouste Gulbekian – Rio de Janeiro – RJ

 “Intersecção de conjuntos” Curadoria: Josué Mattos – Saracura – Rio de Janeiro – RJ

​2016  “4Quina” – A Gentil Carioca – Rio de Janeiro – RJ

“27° Mostra de Arte da Juventude” Curadoria: Carolina Barmell, Leonardo Araujo e Luiza Proença – Sesc Ribeirão Preto – Ribeirão Preto – SP

“Arte Pará 2016” -Curadoria: Paulo Herkenhoff –  Museu Casa das Onze Janelas – Belém – PA 

“Intervenções: Entre o XIX e XXI” Curadoria: Beatriz Pimenta – Museu Nacional de Belas Artes – Rio de Janeiro – RJ

  “FUNÇÃO – Festival Instantâneo de Performance Urgente” –  PorTão – Palmas – TO

  “Zona – (re)Ocupação 2 anos” – És Uma Maluca – Rio de Janeiro – RJ

 “Mostra IP 2016 – Mostra Nacional de Vídeos, Intervenções e Performance” – Várias cidades. 

 2015 “20° Encontro dos Alunos PPGAV/EBA/UFRJ – Intervenções” – Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica/CMAHO – Rio de Janeiro – RJ 

“Codorna Performa II” – Atelier Codorna – Rio de Janeiro- RJ 

 “Arte Londrina 4 – Alguns desvios do corpo” Curadoria: Cauê Alves e Danillo Villa – Casa de cultura/UEL – Londrina -PR

 “Ruído.Gesto Ação&Performance: Corpo Fechado” – Prédio das artes visuais/FURG – Rio Grande – RS

 “4° Exposição Coletiva” – Acervo Independente – Porto Alegre – RS

 “Pintura Contemporânea EBA” – Fórum da Ciência e Cultura da UFRJ – Rio de Janeiro – RJ

 “28° Ocupa Maluca” – És uma maluca – Rio de janeiro -RJ

“Faz a Xepa” – Galeria Virtual Xepa Cultural, abertura física – São Paulo – SP

 “2009/1” – Espaço Cultural CEPERJ – Rio de Janeiro – RJ

2013  “Narrativas” – EAV Parque Lage – Rio de Janeiro – RJ

        “Drink e Drama II” – Espaço Ernani Arte e Cultura – Rio de Janeiro – RJ

        “Sarau Cultural Santa Teresa” – Espaço Hercus Hostel – Rio de Janeiro -RJ

        “MOSCA ArtCon 2.0 – Mostra Carioca de Arte Contemporânea” – UFRJ – Rio de Janeiro – RJ

        “Jovens Expressões” – Sala de Cultura Leila Diniz – Niterói – RJ

        “1º Salão de Artes Visuais CCFA” – Galeria ICG e Galeria 52 – Niterói – RJ

2012  “Cabaret” – Sala de Cultura Leila Diniz – Niterói – RJ

         “Sobre o papel” – Reitoria/UFRJ -Rio de Janeiro – RJ

2011 “Drink e Drama” – Espaço Ernani Arte e Cultura -Rio de Janeiro – RJ

Design sem nome

Clarisse Gonçalves 1998. Graduação em história da arte, UERJ. Pesquisadora e historiadora da arte situada no Rio de Janeiro. Atualmente pesquisa manifestações artísticas periféricas, negras, e afrodescendentes no estado do Rio de Janeiro.